Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
sábado, 7 de março de 2026
domingo, 1 de fevereiro de 2026
A par do divertimento do jogo com pequenas bolas de neve, construíamos um boneco de neve tão alto quanto possível, sempre com um sorriso nos lábios. Os desportos de neve resumiam-se a trenós improvisados, mas divertíamo-nos muito.
As alterações climáticas têm introduzido mudanças expressivas no planeta, e a neve não tem escapado ilesa. Neste século, tem andado desaparecida de alguns lugares onde costumava passar longas férias no período invernal. Foi neste contexto de mudança que, em 2007, a Federação Internacional de Esqui (FIS) instituiu o Dia Mundial da Neve, celebrado no terceiro domingo de janeiro, com o objetivo de promover os desportos de inverno, sensibilizar para a importância dos ecossistemas alpinos e alertar para os impactos das alterações climáticas na diminuição da neve.
Quando está muito frio, o vapor de água transforma-se em minúsculos cristais de gelo que se encaixam uns nos outros, ficando em suspensão. Para nevar, é crucial que a temperatura no percurso do floco, desde a nuvem até ao chão, permaneça abaixo ou muito próxima dos 0 °C, para que ele não derreta e caia sob a forma de chuva. Nestas ocasiões, os cristais caem em forma de flocos, que podem ser pequenos hexágonos ou farrapos.
No Castanheiro do Ouro, onde vivi até aos dezoito anos, também se tem sentido a ausência desta querida turista. Este ano, brindou a região com uma estadia curta nas serras, pernoitando apenas uma noite. Nessa breve visita, abraçou a encosta do vale, cobrindo pinheiros e ciprestes com flocos de algodão branco. Embora não tenha descido para visitar as povoações, permitiu aos nativos desfrutar da sua beleza.
Infelizmente, não tive o prazer de usufruir deste momento — subir até à serra, amassar pedaços de neve e atirá-los aos outros transeuntes que, como eu, apreciam esta brincadeira.
Ainda assim, ao visualizar as fotografias partilhadas nas redes sociais, fui transportada no tempo e revivi momentos felizes. Entre a nostalgia e a realidade dos dias de hoje, resta-nos acreditar que a natureza saberá reerguer-se e reencontrar o seu caminho. Os cristais refletem a luz do sol; por isso, num dia de céu azul, a neve adquire um branco de beleza ímpar.
Já desfrutaram deste cenário idílico?
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
A minha família sempre montou a árvore de Natal no início de dezembro, permanecendo até ao Dia de Reis. A casa ficava mais alegre com as fitas, as bolas coloridas e o brilho das luzes a piscar.
Movida pela curiosidade, decidi investigar esta tradição. Ao pesquisar, constatei que há várias teorias sobre as raízes do costume de decorar uma árvore. Entre as explicações, destaca-se o papel das culturas antigas.
Algumas civilizações praticavam o culto às árvores: as sempre-verdes, como os pinheiros, eram consideradas morada dos deuses e símbolo de vida. Os Romanos, por sua vez, decoravam as moradias com guirlandas de louros. Na Idade Média, esses costumes deram origem à árvore de Natal tal como a conhecemos. Na Europa Central, surgiram novas versões desta tradição, sobretudo entre cristãos protestantes. Na Alemanha, Letónia e Estónia, árvores decoradas com rosas de papel colorido, enfeites brilhantes, maçãs, hóstias e doces eram levadas para casa.
Com o tempo, a decoração das árvores evoluiu. A primeira iluminação registada data de 1611, feita com velas pela duquesa Dorothea Sibylle da Silésia. Já as bolas de vidro são atribuídas à criatividade de um vidreiro pobre da Alemanha de Leste, que, sem dinheiro para comprar nozes e maçãs, decidiu soprar os enfeites.
Estes exemplos demonstram que a criatividade esteve sempre presente na decoração das árvores de Natal. Mas afinal, quem a inventou? Não existe registo oficial, porém conta-se que a primeira árvore de Natal foi montada por uma corporação de padeiros de Freiburg, no sul da Alemanha. Em 1419, teriam decorado o pinheiro com pães-de-mel e nozes. A lenda diz ainda que, no Ano Novo, as crianças podiam sacudir a árvore para “saquear” os doces.
Hoje, as árvores de Natal são cada vez maiores e mais exuberantes, por vezes decoradas com enfeites excêntricos e caros.
Eu ainda preservo esta tradição com muita alegria. Reciclo e misturo adornos de anos anteriores, criando sempre uma árvore singular. E, quando acendo as luzes, a sala inunda-se de uma luz mágica.
E você, cultiva esta tradição? Já fez a sua árvore de Natal?
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Castanhas, jeropiga e alegria: o trio perfeito para uma tertúlia em família ou com amigos, num fim de tarde outonal acalentada pelos raios de sol do verão de São Martinho.
Na minha infância e juventude, a festa litúrgica em honra de Martinho, o padroeiro dos viticultores, era um dos maiores eventos do ano. Sendo a castanha um dos frutos mais abundantes e queridos desta época, o magusto sempre integrou o cartaz.
Nas zonas rurais, antes do entardecer, os aldeãos faziam uma fogueira com grossos troncos para aquecer os foliões durante a noite, que era sempre longa. A população circundava o fogo, deliciando-se com a beleza das chamas e o crepitar da casca dos pinheiros. As castanhas assadas nas brasas degustavam-se com vinho tinto, água-pé ou jeropiga. Confesso-me fã deste último licor, que resulta da adição de aguardente ao mosto, interrompendo o processo de fermentação. O resultado é uma doce bebida alcoólica que adoça os lábios e escorrega pela garganta.
Nestas festanças, é habitual comer caldo verde e outras iguarias confecionadas com produtos regionais. As concertinas, acordeões ou grupos musicais tocam, alentados pela boa disposição dos farristas, que dançam e cantam pela noite dentro.
A tradição diz que, por ocasião do São Martinho, há uma "pausa" no outono, vulgarmente denominada "verão de São Martinho". Estes dias são abrilhantados por quentes raios de sol e noites amenas, o “verão tardio" que nos mima antes da chegada do inverno.
O dia de São Martinho é celebrado por toda a Europa no dia 11 de novembro. Por terras lusitanas, é tão acarinhado que há vários provérbios em sua homenagem. A título de exemplo, cito: “No São Martinho, lume, castanhas e vinho”.
Vivo na cidade Invicta. No mês de novembro, as ruas são abrilhantadas por guarda-sóis coloridos que abrigam do sol, da chuva e da neblina os vendedores, enquanto confecionam as castanhas num fogareiro a carvão. Nunca deixo de admirar a resiliência destes homens de mãos escurecidas e sorriso nos lábios a sacolejar a panela com dedos desprotegidos.
As lendas e a sabedoria popular são riquezas a preservar e legados a transmitir às novas gerações. A história e a identidade dos povos constroem-se, também, pelos costumes e singularidades. Confidencio-me como uma devota costumeira. A maturidade aguça o apetite e a magia dos momentos singelos. Todos os anos perpetuo o ritual: com uma mão cheia de castanha faço um magusto e beberico um cálice de jeropiga.
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. Integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
VELHOS SÃO OS FARRAPOS!
A insustentabilidade de uma sociedade “linear” numa economia “circular”
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. Integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.