segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

No ano de 1989 eu tinha 9 anos. Morava no bairro 11 de Abril, e na esquina havia um bazar que vendia revistas em quadrinhos.Essa foto é do primeiro Gibi que eu economizei pra comprar. O que mais se lia naquela época? A Teia do Aranha, X-Men, Demolidor, Justiceiro, e a revista Super heróis Marvel, que foi como eu pude conhecer um pouco mais sobre outros heróis. O que nós gostávamos na Marvel era o lado humanizado dos heróis, que mesmo com capacidades fodásticas, passavam por dramas e conflitos. Quando o Spider não conseguiu salvar Gwen Stacy eu estava sentado na sala do apartamento com o ventilador na cara, depois da aula. Foi bem triste esse dia. Houve a vez que o Demolidor teve a identidade revelada e foi espancando por vários vilões ao mesmo tempo, eu achei estranho ver o personagem principal todo ferrado, mas era diferente. Lembro quando o Frank Castle encontrou um vilão todo desgraçado que saia de baixo de uma pilha de corpos humanos, porque sua mãe tinha morrido em cima dele quando criança. Os X-Men estavam enfrentando a Fênix e o preconceito da sociedade, o Wolverine sempre tinha uma treta com outros heróis, lembro em guerras secretas quando tiveram que segurar ele porque iria bater no Capitão América, ou apanhar. Eu não gostava dos Vingadores e nem do Quarteto Fantástico, mas lia eventualmente. E as revistas da DC eu repugnava totalmente. Acho que a historia que mais me chocou foi quando o Justiceiro matou o Demolidor, o Homem Aranha e depois se suicidou junto com o Rei do Crime. Antes de ter o pescoço quebrado pelo Rei, o Frank deixou uma bomba implantada na sala. E sussurrou que sempre tinha um plano B. Bons tempos, eu fico feliz pra caramba em ver como esse universo cresceu e se tornou o que é hoje pra cultura pop.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no YouTube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Crônica, postada, em 28 de fevereiro de 2023, pelo autor, em sua página no Facebook.
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A ESPERA
PARTE FINAL
O gato lambeu as patas dianteiras, acariciando os próprios bigodes.
 Tudo bem, tudo bem. Noite ruim?
Pestanejou, o cheiro da luz estelar lhe invadindo as narinas.
 Tu não tem nenhuma gata pra correr atrás não? 
— Que nada, me caparam faz mó tempão. Agora no máximo ando pela rua de noite e fujo dos cachorros. 
 Tá pior que eu então. 
 Sei não. 
 Ué, não sou eu que não tenho bolas, ô bigodudo.
 E não sou eu quem tô falando com um gato.
Encarou o felino, ia responder, mas... onde tava o gato? Sumira assim que focara no bichano. Onde que eu vi isso antes? Gato que aparece e depois some e depois ri?
 Gato? 
Como não obteve resposta, pegou um cigarro no bolso e o acendeu. Que horas é isso? 
Três da manhã e nada. Cara... gente sem compromisso mesmo. Eu aqui me fodendo, perdendo a noite nessa bosta e nada de ninguém aparecer. Até um milico seria bem vindo. Pelo menos ia ter com quem conversar. Com gente, pelo menos. Nah, melhor não meter polícia nisso. Soltou uma baforada, saiu de cima do capô. Andou em círculos, falando sozinho. Numa das mãos segurava o cigarro, na outra a arma. Discutia os problemas da vida, chutava pedrinhas, chamava pelo gato, queria responder a altura o último desaforo. Sabe sair de cena, hein bichano?
Sons de passos surgiram no corredor escuro. Os homens chegaram logo depois, o encontrando falando sozinho, alheio ao beco, ao carro velho e ao gato, que em algum momento voltara e agora dormia descansadamente sobre o capô do carro velho. 
 Cara, o que tu tá fazendo aí? – Um deles perguntou.
Balançando o revólver, continuou andando em círculos, o barulho do azul noturno era como música suave.
 Ô! – O outro chamou, quase gritando.
Parou de súbito. Olhou ao redor, viu dois anões segurando sacos dourados nas mãos.
 Que cês tão fazendo aqui?
 Orra... quem é esse merda que o Humildão mandou dessa vez? – Um dos anões reclamou olhando para o amigo.
 Nanicos...
 Ei, quem é nanico aqui?
 Que? Você que são. Nem sabia que tinha bandido anão.
 E eu lá sou anão? 
 Nem eu sou!
 Olha aqui, vocês querem ou não querem fazer negócio?
Os homens se encararam sem entender.
 Querer a gente quer, mas cadê o dinheiro? 
 Ah... o dinheiro... – Levantou a cabeça observando, sonhador, o céu... vou pagar com estrelas... - Mano, o camarada tá chapado, véi... Ei, ei, ei, pera aí!
Apontou para a cabeça dos anões, atingindo seus abdomens. Em seguida, descarregou o resto dos projéteis onde os homens, surpresos com a própria morte, seguravam suas barrigas. Pegou os sacos dourados no chão e saiu cantarolando. Ao longe se ouvia o barulho de sirenes, e não eram de ambulância. O gato se aninhou, ignorando a confusão enquanto o homem ia embora saltitante e batendo os calcanhares. 

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

Ben Schaeffer é escritor, advogado e contador. Natural de Porto Alegre, reside em Alvorada, RS. Ávido leitor, lê vários gêneros, desde livros de ficção científica, de fantasia e de mistério até histórias em quadrinhos. É autor do livro Dan Plagg: o Porto das Bruxas e da série Histórias do Reino de Puphantia (O Grande Assalto e Os Fantasmas de Puphantus).  

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Conto, do autor, A ESPERA.
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MEU AMIGO CÃO

 

Meu amigo cão! Meu caro amigo, O melhor amigo do Homem, Com certeza um amigo fiel, Mas será que a recíproca é verdadeira? Nem sempre meu amigo.
Quando tem um lar você é feliz, Te vejo cercado de carinho e amor, Brincando com as crianças da casa, Quando teu dono chega você pula, Faz festa balançando o rabo, E a alegria é geral.
Mas às vezes te vejo tristonho! Vagando pelas ruas faminto, Com sede!, pobre amigo! Ah, meu amigo! eles não entendem, Você quer apenas um lar pra viver, Você quer ser amado, Meu amigo cão! Um amigo fiel.
 
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Natural de Alvorada, RS, Henrique Domingues é  membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É compositor, músico e poeta. 
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domingo, 26 de julho de 2026

 
ESPELHO, ESPELHO MEU
O reflexo que o vidro devolve não é mais o mesmo de dez anos atrás. No rosto de um pai de família em Caracas, o espelho revela olheiras profundas, gravadas pela aritmética cruel da sobrevivência.
Ele olha para a nota de 130 bolívares em sua mão e sabe que, oficialmente, seu salário mínimo mensal desintegrou-se. Em janeiro de 2026, esse valor nominal equivale a aviltantes US$0,50 (meio dólar). O que o espelho não mostra é como se divide uma única nota para alimentar quatro bocas; ele mostra apenas o osso que ressalta na face. A penúria venezuelana não é um desastre natural, mas uma erosão planejada. O povo, herdeiro de uma terra que já foi a promessa de prosperidade da América Latina, agora vive de "bônus" assistenciais que não se integram ao salário, não geram aposentadoria e mantêm a dignidade sob o cabresto do Estado. A luta por liberdade, antes feita em praças coloridas, hoje é travada no silêncio do medo. Relatórios recentes da ONU e da CIDH (2025) descrevem um cenário de "repressão severa": prisões arbitrárias de opositores, jornalistas e até cidadãos comuns que ousaram discordar do espelho distorcido que o regime apresenta ao mundo. Muitas vozes ainda repetem o velho mantra: "Os EUA só querem o petróleo da Venezuela". No entanto, o espelho da realidade geopolítica atual refuta essa frase com dados secos. Se o interesse fosse apenas o recurso, por que os Estados Unidos investiriam bilhões em tecnologias de shale gas e se tornariam os maiores produtores mundiais de petróleo? A Venezuela, com sua infraestrutura petrolífera em ruínas devido à má gestão e corrupção, hoje produz menos que o Brasil. A questão é mais profunda que o óleo bruto. Trata-se de uma instabilidade regional que gera crises de refugiados sem precedentes e da presença de potências autoritárias externas no "quintal" das Américas. O petróleo venezuelano, pesado e caro para refinar, não é mais o prêmio de guerra que o senso comum imagina; o verdadeiro conflito é entre um modelo que asfixia seu próprio povo e a busca por um retorno à ordem democrática. Ao final do dia, o venezuelano desvia o olhar do espelho. Não há vaidade na fome. Há apenas a esperança de que, um dia, o reflexo mostre novamente um cidadão livre, cujo trabalho valha mais do que o preço de um quilo de farinha.
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
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Crônica, ESPELHO, ESPELHO MEU, postada, em 05 de janeiro de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

 

IMPRESSÕES 

 

Não sei se é um misto
de amor ou gratidão,
mas confesso dificuldades
em me pensar distante de ti.
 
Tuas impressões marcadas em minha alma,
na alegria ou dissabores
um mosaico de formas e cores
trilha a minha jornada.
 
Do primeiro beijo à despedida
de pessoas amadas,
tudo é simbiose entre nós.
 
Não temos tanta diferença de idade,
mas esse amor é para eternidade
minha querida Alvorada!
Terra que viu nascer o menino o homem
e o poeta que hoje te saúda.
 
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
O escritor, Daniel Machadoreside em Alvorada, RS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA).
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Poema IMPRESSÕES, do livro ALVORADA POR 60: COLETÂNEA DE POEMAS ALVORADENSES, de 2025.
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TUDO ACABA

 

Quase em sincronia entre
chegar e partir,
entre voltar e ir sem rumo,
certo, sem direção.

Tudo acaba;
as tempestades,
as pestes,
a dívida do cartão de crédito,
a bebida no copo,
o beijo molhado,
a juventude.

Tudo dá passagem
ao novo:
novo ano,
novo amor,
novas dívidas,
novos hábitos,
e uma nova  ou melhor 
idade elevada.

A morte chega,
mas quem fomos
vira memória.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada. 
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Poema TUDO ACABA.
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