quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

 

Quando despertei estava nu, envolto pelo lodo. Uns jovens que estavam na floresta ouviram meus gritos e vieram em meu socorro. Então realmente havia jovens que foram fazer sexo e usar drogas, certamente foram eles que eu vi na primeira vez. Meu estado mental não estava nada bom, nem conseguia falar ou esboçar reações, os médicos chamaram de estresse pós traumático devido à morte da minha mãe e o reencontro com certos lugares que acionaram gatilhos. Então eu era isso: uma arma com um gatilho pronto para disparar. Mas e a árvore e a floresta? E a pedra negra? Se a minha loucura veio de traumas eu não tenho certeza, mas atualmente eu não tenho certeza de mais nada. Quando lerem estes registros, espero já ter pulado da janela, 5 andares já devem dar conta. Que horrores o universo em suas vastidões pode esconder e revelar! E que profundidades sombrias e longínquas podemos mergulhar no mar do subconsciente! Agarramo-nos às certezas da nossa vida adulta e a lógica cartesiana do mundo é um conforto, porém quando caímos na nossa escuridão interior, e verdades além da nossa compreensão são reveladas em uma breve imagem do caos, nenhuma certeza moderna pode nos salvar. E no final das contas, um sonhador como eu era, é o alimento mais saboroso para a entropia macabra que espreitava e sussurrava  meu nome na floresta e nos meus pesadelos. 

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
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POMAR DA MEMÓRIA

Eu sempre tive uma necessidade quase arquitetônica de manter o mundo no lugar. Gosto das peças alinhadas, das rotinas previsíveis e da segurança de saber que, amanhã, o sol baterá no mesmo ângulo da janela.
Minha mente é um tabuleiro de xadrez onde as peças não foram feitas para o movimento, mas para a permanência. No meu jogo ideal, ninguém é capturado. Ninguém sai do campo.
Mas o destino, esse jogador impiedoso e mudo, não respeita as minhas regras de estática. Ontem, ele esticou o braço e removeu uma peça. E, com a partida do meu tio, o tabuleiro não apenas balançou; ele perdeu o eixo.
Perder um tio não é apenas um luto de parentesco; é o desmoronamento de uma parede inteira da nossa infância. É uma despedida que acontece em dois tempos: lamentamos o homem que se foi hoje, mas choramos, desesperadamente, pela criança que fomos ao lado dele.
Ao receber a notícia, não vi apenas o presente cinzento. Fui transportada, sem escalas, para o quintal dos meus avós. Senti o cheiro cítrico das bergamotas e das laranjas, o gosto doce do caqui colhido direto do pé.
Ouvi o barulho do riacho cristalino que, na minha memória, nunca seca e nunca para de correr. Vi os pinheiros altos, sentinelas de um tempo em que o mundo parecia infinito, e o brilho das tundras que, para uma criança, eram a prova viva de que o Natal era mágico.
A morte dele levou o brilho das compotas de doce na prateleira e o tamanho imenso daquele pinheirinho enfeitado na sala.
Quando um tio se vai, levamos um choque de realidade: percebemos que os guardiões das nossas primeiras lembranças estão entregando os postos.
A infância, que antes era um lugar onde podíamos "voltar" através de uma visita ou de um telefonema, agora passa a viver apenas em estado provisório dentro de nós.
Viver sem garantias é a tarefa mais difícil para quem gosta de tudo no lugar. O luto nos força a entender que a vida é esse "estado provisório". Ficamos nós, os herdeiros dessas memórias, tentando reorganizar o tabuleiro com um espaço vazio que ninguém mais ocupará.
Dizem que somos quem fica, mas a verdade é que, a cada perda dessas, um pedaço da gente também vai. O que resta é aprender a honrar o pomar, o riacho e o silêncio que agora ocupa o lugar daquela peça que o destino, sem pedir licença, resolveu guardar.

Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
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Crônica, POMAR DA MEMÓRIA, postada, em 02 de fevereiro de 2026, pela autora, em sua página no facebook. 
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

NA QUADRA DO TÊNIS DA VILA
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Evento comemorativo de 10 anos do festival ECO SONS, promovido pelo Instituto Ecovox. O evento contará com bandas de música e com feira ecológica, neste sábado, 07 de fevereiro, a partir das 17 h, na Quadra do Tênis da Vila.
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A ESPERANÇA DE VIVER SEM MEDO

 

Medo da  vida
Medo de viver
Medo da morte
Medo de morrer
Medo do inesperado
Medo do óbvio
Medo da violência
Medo da incerteza
Medo dos julgamentos
Medo da lógica
Medo de amar e ser amada
Medo da rejeição
Medo de ter filhos
Medo de acontecer algo com os filhos
Medo da vivência.
A esperança de viver sem medo
     SERÁ?
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Poema A ESPERANÇA DE VIVER SEM MEDO de Cristina RibeiroJade Poeta. A autora mora em Alvorada, RS, e é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA).
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 

A VIDA É FEITA DE DESAFIOS.


quem pense que não,
quem pense que talvez,
e há quem viva os desafios
em sua forma mais real.

Os obstáculos se anunciam claros,
como nuvens rasgando o céu
atravessam a quietude,
deixam tudo em estado de nudez.

Afogam o sossego sem permissão,
tiram tudo do lugar,
como se fossem donos do espaço,
senhores do instante.

Desorganizam as ideias
para que o novo possa chegar.
E é nesse desafio que a vida ensina;
é preciso alinhar-se,
reinventar-se
e seguir.

Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada. 

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Poema A VIDA É FEITA DE DESAFIOS.
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- CADA PEDAÇO MEU 
Nathiele Fagundes é contadora de histórias e autora dos livros infantis CADA PEDAÇO MEU e BAÚ DE HISTÓRIAS MANEIRASA escritora é historiadora, especialista em História e Cultura Afro-Brasileira e está cursando pedagogia. Mora em Alvorada, RS (nathicontandohistorias@gmail.com). 
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História infantil, CADA PEDAÇO MEU, da escritora e contadora de histórias Nathiele Fagundes. 
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domingo, 1 de fevereiro de 2026

 

O CARNAVAL

 

Abenção, tia Maria, Abenção, tia Sinhá. vou voltar para casa, quando o dia clarear. Estou avisando, para não ficar preocupadas comigo. Porque estou me divertindo, junto com os meus amigos. Estamos na Avenida, olhando o Carnaval. Aqui estou conseguindo, levantar o meu astral. Estou convidando vocês, para virem comigo. Com certeza irão gostar de conhecer os amigos. Agora vou descansar, para carregar as minhas energias. Em seguida estou voltando, Para continuar a folia 

Poema O CARNAVAL, da escritora Maria Rosa. Natural de Santo Antonio da Patrulha, a autora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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TARDE DE CHUVA

 

A tarde é de chuva O que posso fazer? Que tal ler um livro! Sei lá até pode ser. Posso tomar um café, Ou até um chá, Se tiver bolinhos de chuva.. Humm pode ser legal , Na tarde que chove, Posso fazer qualquer coisa, Posso até escrever poemas, O importante é fazer, Jamais me abister.
 
Natural de Alvorada, RS, Henrique Domingues é  membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É compositor, músico e poeta. 
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Poema TARDE DE CHUVA.
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