quarta-feira, 9 de setembro de 2026

 

AMORES EM TEMPOS DE TECNOLOGIA
Nunca a humanidade esteve tão conectada, e ao mesmo tempo nunca estivemos tão solitários. Cercados por telas, notificações e mensagens instantâneas e por infinitas possibilidades de comunicação. Um toque na tela e podemos encontrar alguém do outro lado do mundo.
Podemos conversar a qualquer hora do dia, acompanhar a rotina das pessoas que nem mesmo conhecemos e iniciar relacionamentos sem sequer conhecer o som da voz do outro.
A tecnologia encurtou distâncias, mas criou uma pergunta incômoda: Aproximou pessoas? Não. Estamos vivendo uma época de relacionamentos voláteis. Relações que começam rapidamente, alimentadas por mensagens, curtidas e emojis, e que podem terminar com a mesma velocidade.
Os relacionamentos nascem nas telas e morrem nela, sem uma conversa frente a frente, sem um último abraço, sem o constrangimento de olhar nos olhos de quem está sendo descartado. Basta desaparecer, bloquear, silenciar ou excluir, como se a pessoa nunca tivesse existido. O ser humano confunde liberdade com facilidade para abandonar.
A tecnologia também modificou a forma como acontecem as traições. Não é mais necessário estar fisicamente diante de alguém para ultrapassar os limites de uma reação. Uma conversa escondida, uma conta secreta, mensagens alargadas, fotos enviadas para alguém que!não significa nada’ podem ser o motivo de término de uma relação.
A infidelidade agora está na palma da mão. E há algo ainda mais cruel: a possibilidade da pessoa estar com uma pessoa enquanto procura por outra. É o tal relacionamento de convivência enquanto os aplicativos permanecem abertos em uma procura por outra opção
Infelizmente aprendemos a substituir. Quando um celular já não nos satisfaz trocamos. quando um aplicativo não nos agrada, desinstalamos. quando uma conversa fica difícil, encerramos. Quando um relacionamento exige algo mais do que tempo, procuramos outro.
Talvez precisemos reaprender a olhar. Olhar nos olhos enquanto alguém fala. Deixar o celular sobre a mesa. Desligar a tela, ouvir. Estar presente.A tecnologia deve facilitar nossa vida, mas não deve substituir nossa capacidade de amar.
Precisamos lembrar que pessoas não são aparelhos e que relacionamentos não possuem botão de reiniciar. Corações não vêm com garantia.E as perdas não tem assistência técnica.
Encerro esta reflexão com uma provocação: Se você ama uma pessoa, trate-a como se ela fosse o seu celular. Tenha medo de perdê-la. Cuide dela, proteja. Preste atenção. Não a deixe de lado para procurar uma versão melhor, porque existe uma diferença fundamental entre pessoas e aparelhos: celular pode ser substituído, pessoas nem sempre.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
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Crônica, AMORES EM TEMPOS DE TECNOLOGIA, postada, em 07 de setembro de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 

APENAS UM DOM QUIXOTE


Eu sou apenas um Dom Quixote,
à procura da minha Dulcinéia.
Por dentro e por fora,
é mais bela!

Dama cheia de glória,
senhora da minha memória.
Ela é impressionante,
e eu não sou nada.

E agora?
O que faço agora?
Por que Cervantes?
Por que não me fez impressionante?

Eu tento, eu invento,
mas não consigo ser um Grande Cavaleiro.
Sou apenas um nobre sem dinheiro,
que sonha a cada instante.

E meu sonho é um doce sonho:
viver contigo, Dulcinéia!
Você é a minha história heroica,
a minha grande epopeia!

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Tiago Salpin é escritor, compositor e graduando em Letras. Paulista, nascido em Guarulhos, é autor da obra de poesia O escritor e das antologias de contos e poemas Livro é coisa de louco! e A nossa vida é um livro!.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

 

A CHUVA QUE CAI

 

E a chuva vai caindo, Ela começa mansinha, Bem mansinha! Depois vai aumentando, Ouço o barulhinho, O barulhinho no telhado, Sou uma criança curiosa, Então corro para ver... Sim, olhar dá janela, Os pingos escorrendo, Descendo pelo vidro, Da janela do meu quarto. A janela é um pouco alta,coloco um banquinho, Então consigo ver, Ver a chuva caindo, Se chove não posso sair, Na rua não posso brincar, Que pena!, então vou ficar, Ficar por aqui... Olhando a chuva, A chuva cair.
 
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Natural de Alvorada, RS, Henrique Domingues é  membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É compositor, músico e poeta. 
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A MINHA VERDADEIRA HISTÓRIA.

 

Quando vim ao mundo, trouxe a minha missão. Semear sementes do bem, com amor no coração Dos sete aos dez anos de idade, até vivia sonhando. Porque estava na escola, com os professores estudando. Era tão pequena, mas tinha que trabalhar. Com as mãos cheias de bolhas, o remédio era chorar. Agora posso refletir, sobre o tempo da minha infância. Vivia com a enxada nas mãos, não podia ser criança. Nos finais de semana, Sempre tinha diversão. Cortava lenha de machado, para acender o fogão. Sou persistente, e não paro de sonhar. Porque não perco a esperança, do meu sonho realizar. Nem dá para acreditar, por tudo que já passei. Hoje estou colhendo bons frutos, das sementes que plantei. Por isso estou registrando, o que tenho na memória. Como sobrevivi, é real essa história. 

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

A escritora Maria Rosa, natural de Santo Antonio da Patrulha, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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AFAGO NA ALMA

 

De ternura vive o homem,
Que adora a toda a hora,
A figura que outrora,
Se fez de encanto e beleza,
De infinitas sutilezas,
Agradando o seu subconsciente,
Que já se fez presente, 
No coração da gente,
Como a noite na escuridão,
Um estado frequente,
Revelando o que de mais bonito,
Se tem junto a alguém,
Esse por si só,
Refresca a alegria,
Sem dó...
Ao passo que passa leveza,
Pois é de sua natureza,
Nunca depender de ninguém,
Apenas compartilhar emoções,
Com quem a gente quer bem! 
  
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Janaína Rosa é natural de Porto Alegre e reside em Alvorada, RS. Cabeleireira, artesã, cantora e compositora, a escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Começou escrevendo letras de músicas e poemas para o Instituto Ecovox. Em 2023, teve o poema Sintonia do Mar selecionado para o concurso Poeta Passageiro: poesia na viagem. A autora foi presidente da Associação de Músicos de Alvorada (AMUSA) e é vice-presidente do Instituto Alvorecer. No ano de 2025, teve o poema Bairro Passo do Feijó selecionado para a coletânea Alvorada por 60.
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Poema AFAGO NA ALMA
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     CHUVA DE VERÃO
Quando a chuva nos visita num dia de verão, gera um misto de sentimentos: entristece os que estão a veranear, alegra os jardins fustigados pelo calor e apazigua os solos ressequidos. O céu troca o azul pelo cinza e o sol esconde-se por detrás das nuvens. O dia perde a habitual luminosidade, alternando entre sombrio e soalheiro. A temperatura baixa, hesitamos no que vestir, mas a humidade intensifica-se relembrando que o casaco ainda é dispensável. A paisagem fica mais fresca e o ar ganha um ligeiro odor metálico. Este domingo foi um dia assim. Amanheceu cinzento e molhado. Os chuviscos davam lugar aos raios de sol tímidos enquanto as nuvens brincavam às escondidas. Ao início da noite fui apanhada desprevenida. Resolvi apanhar a roupa estendida no dia anterior. Quando terminava de dobrar a última peça, começou a chover. Em segundos intensificou-se, impedindo-me de sair debaixo do alpendre. Sem opção, permaneci com a roupa abraçada contra o meu peito. Não havia vento, apenas as gotas grossas da chuva movimentavam as folhas das flores e árvores do jardim. O tilintar das gotas nos cubos de granito rosa da calçada era o único som que se ouvia. Este episódio que durou longos minutos foi um agradável momento com a natureza, que me convidou a abrandar, aquietar e contemplar. Apreciei a simplicidade da chuva a descer até ao solo. Vi os limões a trocar o verde pelo amarelo, as folhas cobertas de pequenas gotículas, os botões de rosa a desabrochar e as manchas amarelas na relva deixadas pelo meu cão. Presenciei a beleza da mudança de cor do céu à medida que as nuvens desapareciam. A chuva abrandou e intensificou-se novamente. Apenas o som dos pingos interrompia o silêncio. Voltou a abrandar, até finalmente parar. Não me apressei; permaneci mais uns segundos. Atravessei o pátio sem pressa. Senti que a chuva de verão talvez tenha essa missão: prender-nos por alguns minutos ao abrigo de um alpendre para voltarmos a reparar em tantas coisas que passam despercebidas.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 25 de agosto de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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