terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 

Parte II 
A porta se fechava com rudeza, ela me matava ali, com aquele gesto. Não vivi esse tempo, mas que desamparo eram aqueles dias. Fora do quarto, com o barulho de música e conversa, ficava lá, sozinho.
Foi um pouco depois disso que comecei a trabalhar numa farmácia. Aquele escritório bonito com meus colegas  o Freitas, Zeferino, Pedro, lembra?  já estava no passado, quando eu ainda era interessado em contas e cálculos. Nunca saí do lugar, era auxiliar e saí auxiliar.
Depois, na farmácia, me chamavam de desatento. De vez em quando falava em como seria mais fácil se o sistema usado na farmácia fosse mais ágil. Me redarguiam: Que sistema? E eu me calava. Era isso mesmo, que sistema. Não durei nesse trabalho. Queria as coisas feitas de um jeito, diziam que aquele jeito não existia. Ora, até parece que eu não era dali.
E, enquanto penso em tudo isso, me retorna à memória que eu estava falando em morte lá no início, morte é coisa séria, encerra tudo, como um livro que você terminou de ler, como uma vela derretida.
Era novo ainda, mas morri, lá nos anos 1970, acho que foi isso que aconteceu, naquela noite. O clima quente de verão, na frente de casa, ouvi dois estampidos, achei que era longe dali, fui para a calçada. Uma menina correu na minha direção, não prestei atenção, só nos olhos que pareciam bolas de gude, brilhantes e apavorados. Na rua, um pouco distante, vi o bar que ia de vez em quando, ouvi mais disparos. Depois quatro homens entraram num carro, fugindo logo em seguida. Passaram por mim, a janela aberta, o homem que vinha no banco de trás cuspiu como se tivesse nojo de mim.
Que noite quente, que desprezo, até de quem não valia nada. A polícia veio depois, me perguntou muitas coisas, mas eu não sabia responder, não era uma época que eu conhecesse tão bem, só tinha impressões, nuances, nunca tinha visto um crime assim, tão de perto. O policial me olhou um pouco, depois me mandou embora. Antes que eu fosse embora, lembrei de algo. O carro era um comodoro preto. O policial perguntou a placa, eu não sabia.

Ben Schaeffer é escritor, advogado e contador. Natural de Porto Alegre, reside em Alvorada, RS. Ávido leitor, lê vários gêneros, desde livros de ficção científica, de fantasia e de mistério até histórias em quadrinhos. É autor do livro Dan Plaggo Porto das Bruxas e da série Histórias do Reino de Puphantia (O Grande Assalto e Os Fantasmas de Puphantus).  

_________________________
Conto, do autor, 1970.
 Clique na imagem do autor nas palavras coloridas (Título e Biografia).
Deixe seu nome
 e comentário 
abaixo:

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 

POEMA A UMA QUINTA-FEIRA.

 

Aberta a semana, chegou a Quinta-feira
Vem com seu cheiro de folhas molhadas
E um vento refrescante que nos acalma

Alegria e esperança nos inundam
Vontade de cantar e de dançar
Todos aproveitando o grande dia

Vivendo a vida ao máximo
Encontrando paz e amor no caminho
Quinta-feira é um dia mágico

Que nos traz novos começos
E a esperança de dias melhores
Neste dia, vamos nos alegrar!
Como se nada mais nos preocupasse 

Natural de São Gabriel, Damião Oliveirareside em Alvorada, RS. O escritor, membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), é autor dos livros Sonetos para Deus, Buquê de Flores Pinhal em VersosE, o criador do projeto Semeando Sonhos, Colhendo Realidades, o qual doa livros e e-books para escolas, associações e sociedade em geral. 
_________________________
Poema postado, em 15 de dezembro de 2022, pelo autor, em sua página no facebook
Clique na imagem do autor e nas palavras coloridas (Biografia e Nota de Rodapé).
Deixe seu nome
 e comentário 
abaixo:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

   

SÉRIE NA PRANCHETA
O escritor Adão de Lima Jr. é ilustrador, editor e quadrinista. (Mora em Alvorada, RS). 
_________________________
Postado, pelo artista, no dia 13 de dezembro de 2025, em seu canal do YouTube.
  Clique na imagem do autor e nas palavras coloridas (Título, Biografia e Nota de Rodapé).
Deixe seu nome
 e comentário 
abaixo:

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

 

Quando despertei estava nu, envolto pelo lodo. Uns jovens que estavam na floresta ouviram meus gritos e vieram em meu socorro. Então realmente havia jovens que foram fazer sexo e usar drogas, certamente foram eles que eu vi na primeira vez. Meu estado mental não estava nada bom, nem conseguia falar ou esboçar reações, os médicos chamaram de estresse pós traumático devido à morte da minha mãe e o reencontro com certos lugares que acionaram gatilhos. Então eu era isso: uma arma com um gatilho pronto para disparar. Mas e a árvore e a floresta? E a pedra negra? Se a minha loucura veio de traumas eu não tenho certeza, mas atualmente eu não tenho certeza de mais nada. Quando lerem estes registros, espero já ter pulado da janela, 5 andares já devem dar conta. Que horrores o universo em suas vastidões pode esconder e revelar! E que profundidades sombrias e longínquas podemos mergulhar no mar do subconsciente! Agarramo-nos às certezas da nossa vida adulta e a lógica cartesiana do mundo é um conforto, porém quando caímos na nossa escuridão interior, e verdades além da nossa compreensão são reveladas em uma breve imagem do caos, nenhuma certeza moderna pode nos salvar. E no final das contas, um sonhador como eu era, é o alimento mais saboroso para a entropia macabra que espreitava e sussurrava  meu nome na floresta e nos meus pesadelos. 

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
_________________________
Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
Clique aqui e leia as outras partes do conto.
Clique na imagem do autor nas palavras coloridas (Biografia e Nota de Rodapé).
Deixe seu nome
 e comentário 
abaixo:

 

POMAR DA MEMÓRIA

Eu sempre tive uma necessidade quase arquitetônica de manter o mundo no lugar. Gosto das peças alinhadas, das rotinas previsíveis e da segurança de saber que, amanhã, o sol baterá no mesmo ângulo da janela.
Minha mente é um tabuleiro de xadrez onde as peças não foram feitas para o movimento, mas para a permanência. No meu jogo ideal, ninguém é capturado. Ninguém sai do campo.
Mas o destino, esse jogador impiedoso e mudo, não respeita as minhas regras de estática. Ontem, ele esticou o braço e removeu uma peça. E, com a partida do meu tio, o tabuleiro não apenas balançou; ele perdeu o eixo.
Perder um tio não é apenas um luto de parentesco; é o desmoronamento de uma parede inteira da nossa infância. É uma despedida que acontece em dois tempos: lamentamos o homem que se foi hoje, mas choramos, desesperadamente, pela criança que fomos ao lado dele.
Ao receber a notícia, não vi apenas o presente cinzento. Fui transportada, sem escalas, para o quintal dos meus avós. Senti o cheiro cítrico das bergamotas e das laranjas, o gosto doce do caqui colhido direto do pé.
Ouvi o barulho do riacho cristalino que, na minha memória, nunca seca e nunca para de correr. Vi os pinheiros altos, sentinelas de um tempo em que o mundo parecia infinito, e o brilho das tundras que, para uma criança, eram a prova viva de que o Natal era mágico.
A morte dele levou o brilho das compotas de doce na prateleira e o tamanho imenso daquele pinheirinho enfeitado na sala.
Quando um tio se vai, levamos um choque de realidade: percebemos que os guardiões das nossas primeiras lembranças estão entregando os postos.
A infância, que antes era um lugar onde podíamos "voltar" através de uma visita ou de um telefonema, agora passa a viver apenas em estado provisório dentro de nós.
Viver sem garantias é a tarefa mais difícil para quem gosta de tudo no lugar. O luto nos força a entender que a vida é esse "estado provisório". Ficamos nós, os herdeiros dessas memórias, tentando reorganizar o tabuleiro com um espaço vazio que ninguém mais ocupará.
Dizem que somos quem fica, mas a verdade é que, a cada perda dessas, um pedaço da gente também vai. O que resta é aprender a honrar o pomar, o riacho e o silêncio que agora ocupa o lugar daquela peça que o destino, sem pedir licença, resolveu guardar.

Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
________________________
Crônica, POMAR DA MEMÓRIA, postada, em 02 de fevereiro de 2026, pela autora, em sua página no facebook. 
Clique na imagem do autor nas palavras coloridas (Biografia e Nota de Rodapé).
Deixe seu nome
 e comentário 
abaixo:

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

NA QUADRA DO TÊNIS DA VILA
_________________________
Evento comemorativo de 10 anos do festival ECO SONS, promovido pelo Instituto Ecovox. O evento contará com bandas de música e com feira ecológica, neste sábado, 07 de fevereiro, a partir das 17 h, na Quadra do Tênis da Vila.
Clique nas palavras coloridas (Título e Nota de Rodapé).
Deixe seu nome
 e comentário 
abaixo:

 

A ESPERANÇA DE VIVER SEM MEDO

 

Medo da  vida
Medo de viver
Medo da morte
Medo de morrer
Medo do inesperado
Medo do óbvio
Medo da violência
Medo da incerteza
Medo dos julgamentos
Medo da lógica
Medo de amar e ser amada
Medo da rejeição
Medo de ter filhos
Medo de acontecer algo com os filhos
Medo da vivência.
A esperança de viver sem medo
     SERÁ?
_________________________
Poema A ESPERANÇA DE VIVER SEM MEDO de Cristina RibeiroJade Poeta. A autora mora em Alvorada, RS, e é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA).
Clique na imagem do autor nas palavras coloridas (Nota de Rodapé).
Deixe seu nome
 e comentário 
abaixo: