segunda-feira, 14 de setembro de 2026

 

SERVINDO A HUMANIDADE
Quando a equipe de resgate chegou, três dias após a cheia do leito do rio, encontrou Ernestina abrigada, estoicamente, nos galhos de uma centenária e gigante sumaúma, árvore típica das matas de várzea da Amazônia. Pensaram inicialmente tratar-se de um animal. Era a menina de dez anos de idade que assistira do alto, as águas barrentas levarem de roldão a casa ribeirinha e, pior ainda, a vida dos pais, que não tiveram como ela forças para subir e buscar refúgio no tronco robusto. 
Órfã e sem parentes morou por anos em um abrigo à espera de adoção, sem sucesso. A “menina da floresta”, como era chamada, tímida para conversar e fazer amizades, não despertou interesse nos possíveis adotantes, talvez pela pele negra, físico esgalgado e rosto desprovido de padrões de beleza. O que não imaginavam é que dentro da criança frágil morava uma felina, ainda filhote, que só parecia ser mansa. Conforme fosse crescendo lutaria com todas as forças para vencer. A tragédia pela qual passara não tinha sido forte o bastante para cortar suas garras ou sepultar seus sonhos. 
Reclusa entre as paredes do quarto coletivo, especialmente nos finais de semana, enxergava o futuro no estudo. Encontrou nos livros a matéria-prima necessária e apegou-se de tal forma que, com o decorrer dos anos, o conhecimento a distinguia no meio escolar. Buscava insaciavelmente sempre mais, e direcionou seu foco também para os idiomas espanhol e inglês com a prestimosa ajuda de universitários voluntários no abrigo. Recebeu deles ainda o incentivo e direcionamento profissional para se tornar enfermeira.  
Aprovada no vestibular de conceituada instituição federal abraçou os ensinamentos e mostrou tamanha abnegação que, antes de concluir o curso, recebeu convite para trabalhar e morar no hospital escola da universidade. Dedicava os horários livres às atividades de medicina e saúde realizadas pela instituição, movimentos sociais ou igrejas da região, independente do credo. E perdendo um pouco a timidez, fez amigos entre as pessoas daquele meio, alguns colegas e muitos pacientes. A bonomia e mansuetude despendidas, além do zelo profissional nos plantões hospitalares a tornaram referência em atendimento. Ernestina mudara sua vida e a dos outros. E veio a formatura. 
Um sorriso leve passou a povoar seu rosto. Com planos definidos começou o estudo de dialetos africanos e doenças infecciosas e crônicas. Mesmo nos prolongados e sucessivos plantões, sua expressão facial era outra, apesar do cansaço. Os colegas brincavam provocando-a que tamanho esforço era para juntar dinheiro e comprar um marido ou carro importado. Nunca havia sido vista com namorado ou fazendo despesas extravagantes, seu dinheiro era guardado para, segundo ela, “comprar um lindo pedaço no mundo”. 
puderam entender que pedaço era meses depois do surpreendente pedido de demissão e partida sem informar o destino. Estupefatos viram uma foto publicada em conceituada revista de circulação no meio acadêmico, ilustrando reportagem sobre o trabalho dos Médicos Sem Fronteiras. Lá estava ela, com um sorriso mais largo e portadora de uma beleza nunca percebida, mas notava-se que tanto o sorriso como a beleza eram de pura felicidade. Ao seu redor, pisando o solo férvido, várias crianças raquíticas, desnutridas, no mais puro retrato da pobreza local. Seus olhares para a enfermeira Ernestina eram de esperança, gratidão e confiança. Naquele pedaço de mundo distante e abandonado, a imagem captada pela câmera fotográfica mostrava a outrora menina da floresta como autêntica fera a proteger seus filhotes.  
Estava realizado seu sonho, tinha amor imensurável para cuidar de uma imensa família e poder dizer que era sua. A onça, agora adulta, estava de volta ao seu habitat.  

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
O escritor Waldir Capucci é formado em Administração de Empresas. Paulista, de Jacareí, o autor é membro correspondente da Academia Taubateana de Letras. Suas principais obras são: José Maria de Abreu, de Jacareí; CCI Casa Viva Vida: a história; Histórias de Trilhos e Sonhos e; Testamento.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

 

AMORES EM TEMPOS DE TECNOLOGIA
Nunca a humanidade esteve tão conectada, e ao mesmo tempo nunca estivemos tão solitários. Cercados por telas, notificações e mensagens instantâneas e por infinitas possibilidades de comunicação. Um toque na tela e podemos encontrar alguém do outro lado do mundo.
Podemos conversar a qualquer hora do dia, acompanhar a rotina das pessoas que nem mesmo conhecemos e iniciar relacionamentos sem sequer conhecer o som da voz do outro.
A tecnologia encurtou distâncias, mas criou uma pergunta incômoda: Aproximou pessoas? Não. Estamos vivendo uma época de relacionamentos voláteis. Relações que começam rapidamente, alimentadas por mensagens, curtidas e emojis, e que podem terminar com a mesma velocidade.
Os relacionamentos nascem nas telas e morrem nela, sem uma conversa frente a frente, sem um último abraço, sem o constrangimento de olhar nos olhos de quem está sendo descartado. Basta desaparecer, bloquear, silenciar ou excluir, como se a pessoa nunca tivesse existido. O ser humano confunde liberdade com facilidade para abandonar.
A tecnologia também modificou a forma como acontecem as traições. Não é mais necessário estar fisicamente diante de alguém para ultrapassar os limites de uma reação. Uma conversa escondida, uma conta secreta, mensagens alargadas, fotos enviadas para alguém que!não significa nada’ podem ser o motivo de término de uma relação.
A infidelidade agora está na palma da mão. E há algo ainda mais cruel: a possibilidade da pessoa estar com uma pessoa enquanto procura por outra. É o tal relacionamento de convivência enquanto os aplicativos permanecem abertos em uma procura por outra opção
Infelizmente aprendemos a substituir. Quando um celular já não nos satisfaz trocamos. quando um aplicativo não nos agrada, desinstalamos. quando uma conversa fica difícil, encerramos. Quando um relacionamento exige algo mais do que tempo, procuramos outro.
Talvez precisemos reaprender a olhar. Olhar nos olhos enquanto alguém fala. Deixar o celular sobre a mesa. Desligar a tela, ouvir. Estar presente.A tecnologia deve facilitar nossa vida, mas não deve substituir nossa capacidade de amar.
Precisamos lembrar que pessoas não são aparelhos e que relacionamentos não possuem botão de reiniciar. Corações não vêm com garantia.E as perdas não tem assistência técnica.
Encerro esta reflexão com uma provocação: Se você ama uma pessoa, trate-a como se ela fosse o seu celular. Tenha medo de perdê-la. Cuide dela, proteja. Preste atenção. Não a deixe de lado para procurar uma versão melhor, porque existe uma diferença fundamental entre pessoas e aparelhos: celular pode ser substituído, pessoas nem sempre.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
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Crônica, AMORES EM TEMPOS DE TECNOLOGIA, postada, em 07 de setembro de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 

APENAS UM DOM QUIXOTE


Eu sou apenas um Dom Quixote,
à procura da minha Dulcinéia.
Por dentro e por fora,
é mais bela!

Dama cheia de glória,
senhora da minha memória.
Ela é impressionante,
e eu não sou nada.

E agora?
O que faço agora?
Por que Cervantes?
Por que não me fez impressionante?

Eu tento, eu invento,
mas não consigo ser um Grande Cavaleiro.
Sou apenas um nobre sem dinheiro,
que sonha a cada instante.

E meu sonho é um doce sonho:
viver contigo, Dulcinéia!
Você é a minha história heroica,
a minha grande epopeia!

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Tiago Salpin é escritor, compositor e graduando em Letras. Paulista, nascido em Guarulhos, é autor da obra de poesia O escritor e das antologias de contos e poemas Livro é coisa de louco! e A nossa vida é um livro!.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

 

A CHUVA QUE CAI

 

E a chuva vai caindo, Ela começa mansinha, Bem mansinha! Depois vai aumentando, Ouço o barulhinho, O barulhinho no telhado, Sou uma criança curiosa, Então corro para ver... Sim, olhar dá janela, Os pingos escorrendo, Descendo pelo vidro, Da janela do meu quarto. A janela é um pouco alta,coloco um banquinho, Então consigo ver, Ver a chuva caindo, Se chove não posso sair, Na rua não posso brincar, Que pena!, então vou ficar, Ficar por aqui... Olhando a chuva, A chuva cair.
 
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Natural de Alvorada, RS, Henrique Domingues é  membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É compositor, músico e poeta. 
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A MINHA VERDADEIRA HISTÓRIA.

 

Quando vim ao mundo, trouxe a minha missão. Semear sementes do bem, com amor no coração Dos sete aos dez anos de idade, até vivia sonhando. Porque estava na escola, com os professores estudando. Era tão pequena, mas tinha que trabalhar. Com as mãos cheias de bolhas, o remédio era chorar. Agora posso refletir, sobre o tempo da minha infância. Vivia com a enxada nas mãos, não podia ser criança. Nos finais de semana, Sempre tinha diversão. Cortava lenha de machado, para acender o fogão. Sou persistente, e não paro de sonhar. Porque não perco a esperança, do meu sonho realizar. Nem dá para acreditar, por tudo que já passei. Hoje estou colhendo bons frutos, das sementes que plantei. Por isso estou registrando, o que tenho na memória. Como sobrevivi, é real essa história. 

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

A escritora Maria Rosa, natural de Santo Antonio da Patrulha, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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AFAGO NA ALMA

 

De ternura vive o homem,
Que adora a toda a hora,
A figura que outrora,
Se fez de encanto e beleza,
De infinitas sutilezas,
Agradando o seu subconsciente,
Que já se fez presente, 
No coração da gente,
Como a noite na escuridão,
Um estado frequente,
Revelando o que de mais bonito,
Se tem junto a alguém,
Esse por si só,
Refresca a alegria,
Sem dó...
Ao passo que passa leveza,
Pois é de sua natureza,
Nunca depender de ninguém,
Apenas compartilhar emoções,
Com quem a gente quer bem! 
  
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Janaína Rosa é natural de Porto Alegre e reside em Alvorada, RS. Cabeleireira, artesã, cantora e compositora, a escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Começou escrevendo letras de músicas e poemas para o Instituto Ecovox. Em 2023, teve o poema Sintonia do Mar selecionado para o concurso Poeta Passageiro: poesia na viagem. A autora foi presidente da Associação de Músicos de Alvorada (AMUSA) e é vice-presidente do Instituto Alvorecer. No ano de 2025, teve o poema Bairro Passo do Feijó selecionado para a coletânea Alvorada por 60.
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Poema AFAGO NA ALMA
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