segunda-feira, 27 de julho de 2026

  

MEU AMIGO CÃO

 

Meu amigo cão! Meu caro amigo, O melhor amigo do Homem, Com certeza um amigo fiel, Mas será que a recíproca é verdadeira? Nem sempre meu amigo.
Quando tem um lar você é feliz, Te vejo cercado de carinho e amor, Brincando com as crianças da casa, Quando teu dono chega você pula, Faz festa balançando o rabo, E a alegria é geral.
Mas às vezes te vejo tristonho! Vagando pelas ruas faminto, Com sede!, pobre amigo! Ah, meu amigo! eles não entendem, Você quer apenas um lar pra viver, Você quer ser amado, Meu amigo cão! Um amigo fiel.
 
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Natural de Alvorada, RS, Henrique Domingues é  membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É compositor, músico e poeta. 
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domingo, 26 de julho de 2026

 
ESPELHO, ESPELHO MEU
O reflexo que o vidro devolve não é mais o mesmo de dez anos atrás. No rosto de um pai de família em Caracas, o espelho revela olheiras profundas, gravadas pela aritmética cruel da sobrevivência.
Ele olha para a nota de 130 bolívares em sua mão e sabe que, oficialmente, seu salário mínimo mensal desintegrou-se. Em janeiro de 2026, esse valor nominal equivale a aviltantes US$0,50 (meio dólar). O que o espelho não mostra é como se divide uma única nota para alimentar quatro bocas; ele mostra apenas o osso que ressalta na face. A penúria venezuelana não é um desastre natural, mas uma erosão planejada. O povo, herdeiro de uma terra que já foi a promessa de prosperidade da América Latina, agora vive de "bônus" assistenciais que não se integram ao salário, não geram aposentadoria e mantêm a dignidade sob o cabresto do Estado. A luta por liberdade, antes feita em praças coloridas, hoje é travada no silêncio do medo. Relatórios recentes da ONU e da CIDH (2025) descrevem um cenário de "repressão severa": prisões arbitrárias de opositores, jornalistas e até cidadãos comuns que ousaram discordar do espelho distorcido que o regime apresenta ao mundo. Muitas vozes ainda repetem o velho mantra: "Os EUA só querem o petróleo da Venezuela". No entanto, o espelho da realidade geopolítica atual refuta essa frase com dados secos. Se o interesse fosse apenas o recurso, por que os Estados Unidos investiriam bilhões em tecnologias de shale gas e se tornariam os maiores produtores mundiais de petróleo? A Venezuela, com sua infraestrutura petrolífera em ruínas devido à má gestão e corrupção, hoje produz menos que o Brasil. A questão é mais profunda que o óleo bruto. Trata-se de uma instabilidade regional que gera crises de refugiados sem precedentes e da presença de potências autoritárias externas no "quintal" das Américas. O petróleo venezuelano, pesado e caro para refinar, não é mais o prêmio de guerra que o senso comum imagina; o verdadeiro conflito é entre um modelo que asfixia seu próprio povo e a busca por um retorno à ordem democrática. Ao final do dia, o venezuelano desvia o olhar do espelho. Não há vaidade na fome. Há apenas a esperança de que, um dia, o reflexo mostre novamente um cidadão livre, cujo trabalho valha mais do que o preço de um quilo de farinha.
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
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Crônica, ESPELHO, ESPELHO MEU, postada, em 05 de janeiro de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

 

IMPRESSÕES 

 

Não sei se é um misto
de amor ou gratidão,
mas confesso dificuldades
em me pensar distante de ti.
 
Tuas impressões marcadas em minha alma,
na alegria ou dissabores
um mosaico de formas e cores
trilha a minha jornada.
 
Do primeiro beijo à despedida
de pessoas amadas,
tudo é simbiose entre nós.
 
Não temos tanta diferença de idade,
mas esse amor é para eternidade
minha querida Alvorada!
Terra que viu nascer o menino o homem
e o poeta que hoje te saúda.
 
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
O escritor, Daniel Machadoreside em Alvorada, RS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA).
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Poema IMPRESSÕES, do livro ALVORADA POR 60: COLETÂNEA DE POEMAS ALVORADENSES, de 2025.
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TUDO ACABA

 

Quase em sincronia entre
chegar e partir,
entre voltar e ir sem rumo,
certo, sem direção.

Tudo acaba;
as tempestades,
as pestes,
a dívida do cartão de crédito,
a bebida no copo,
o beijo molhado,
a juventude.

Tudo dá passagem
ao novo:
novo ano,
novo amor,
novas dívidas,
novos hábitos,
e uma nova  ou melhor 
idade elevada.

A morte chega,
mas quem fomos
vira memória.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada. 
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Poema TUDO ACABA.
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EM VIENA PARÁMOS PARA OUVIR
Ontem à noite, tive o privilégio de assistir a um concerto de música clássica, em Viena, que recriou os serões do século XVIII. Se compararmos os concertos do século XVIII com os atuais, encontramos muitos pontos divergentes e um ponto de contacto — a necessidade de evasão. No passado, as pessoas, quando iam a um concerto de música clássica, primavam por vestir-se com roupa elegante que dignificasse o evento. As mulheres vestiam, preferencialmente, vestidos compridos e os homens, smokings. O traje andava de mãos dadas com o requinte do espetáculo. Com o passar dos séculos, presenciamos uma banalização dos espetáculos, desvalorizando a importância da sintonia da vestimenta com a festividade. Hoje, em muitos casos, a imagem substitui aquilo que deveria ser essencial: a música. Vídeos e coreografias desviam a atenção do que realmente importa e tem valor. Num concerto de música clássica, com instrumentos de cordas e sopros, o foco está exclusivamente nos artistas que atuam “a solo” e exibem, sem artifícios, as suas capacidades perante um público que os avalia sem “maquilhagem”. A tónica é totalmente distinta — ouvimos a música com a alma e desfrutamos o momento com quietude. Não dançamos, não cantamos, não expandimos o que sentimos. Foi mágico ouvir músicas de Beethoven e Mozart, tocadas por músicos vestidos com requinte, numa sala de tetos trabalhados, com pintura de frescos e molduras florais. Mas o que mais me encantou foi a cumplicidade daquele momento, como se por instantes retornássemos no tempo. Saí daquele serão com a sensação de que o tempo pode ser suspenso quando a beleza é suficiente. Em Viena, cidade da música, por breves instantes, não fomos apenas espectadores — parámos para ouvir.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 16 de junho de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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AS QUATRO ESTAÇÕES.

 

Estou aqui imaginando com a força do pensamento. O outono está indo embora com o sopro do vento. O inverno está chegando, que não seja violento. Porque existe alguém morando ao relento. Depois, vem a primavera, com os cantos dos passarinhos. Eles começam a trabalhar, construindo os seus ninhos. Quando chega o verão, sinto boas energias. Porque o sol vem brilhando, até parece magia. Assim vamos vivendo, registrando a nossa história. Quem sabe, talvez um dia, alguém guarda na memória.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

A escritora Maria Rosa, natural de Santo Antonio da Patrulha, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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