quinta-feira, 30 de julho de 2026

  

CERTO DIA NO PARQUE...
— Já foi!
Imaginei, quando cruzei pelo portão. Havia motivos de sobra para ela ir. Afinal de contas, não era a primeira vez que me atrasava, só naquele mês. Também, quem iria acreditar nas minhas desculpas? Está certo que, na verdade, não tinha nenhuma desculpa. Exausto, após o almoço, adormeci no sofá de casa...
Mesmo assim, a procurava com o olhar. Logo a avistei. Estava em um banco, do outro lado do Parque Municipal.
Fui até ela.
— Oi... Amor?
Zangada, Martinha me olhou bem nos olhos: 
Esqueceu de mim... Outra vez!
— Eu? Não, não esqueci, juro! Acontece que...
 Não enrola, diz logo, na minha cara: o que significo para você, afinal?
 Tudo.
 Só isso?!
 Como só isso? Tudo é muita coisa, não acha?
 Pode ser, mas não explica nada; é genérico demais, Rogério!
"Que nó, hein? Difícil de desfazer.", pensei.
 Está linda! Falo sério: caprichou mesmo desta vez! 
Mordeu os lábios:
— Hum... E das outras, não?
Cocei a cabeça:
— Posso sentar?
— Claro; senta! É um lugar público, não é mesmo?
Coloquei a mochila sobre o colo. Tirei uma garrafa PET:
— Quer água?
— Não estou com sede!
— Com fome?
Ofereci uma barra energética.
— Não, obrigada!
— Okay! Se você não quer...
Fiquei observando a lagoa: as leves ondas, os juncos, as flores na margem. Ela era o grande atrativo do parque que levava o seu nome:
"La-go-a-do-Co-cão, La-go-a-do...", soletrava comigo.
Bebi um gole, no bico. Mordisquei a barrinha, pensativo: 
— Por que será que é Cocão, hein?
— Como?  Martinha indagou, distraída.
 É; sabe por que é Cocão?
— O quê? Do que está falando, Rogério?
— O nome da lagoa.
— E eu é que sei? Vai ver, tinham muitos cocões nessa região, sei lá!
— Tem razão; vai ver é isso. Mas não deixa de ser interessante, não acha? Cocão...
 Lá vem você com esse papo, de novo! Até parece obsessão. Fala: o que tem de tão interessante, assim?
 É um nome forte; diferente.
— Ah, tá!
 Martinha... Você... Vai viajar no feriado?
— É quase certo. Meus pais vêm preparando isso, há meses.
— Que pena; senão a gente podia se ver!
— Rá; rá; rá! Não me faça rir.
— Vem cá...  tentei beijá-la, porém, virou o rosto.

CONTINUA...

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
O escritor Anderson Vicente é professor de História e graduado em Gestão Ambiental, com pós-graduação em Educação Ambiental. Reside em Alvorada, RS, onde ajudou a fundar o Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Tem diversas participações em coletâneas de contos, crônicas e poemas. É autor dos livros juvenis Às voltas com a caveira e Na trilha dos zumbis.
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Conto CERTO DIA NO PARQUE..., publicado no livro Contos de Alvorada (coletânea de contos do Clube dos Escritores de Alvorada, 2021).
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CHUVA


Pode a chuva

além de molhar

as plantas

trazer tristeza?

 

Gotas e gotas

contra a vidraça

e esse dia

que não passa.


Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
O escritor Sérgio Vieira Brandão é professor, psicólogo, editor e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Gaúcho, nascido em Alvorada, tem mais de 300 livros publicados para diferentes públicos. Mora em Tramandaí, RS (sergio.escritor@gmail.com). 
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Poema da coletânea POEMAS DE AMOR ADOLESCENTE, Editora SVB Edição e Arte, de 2010. 
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terça-feira, 28 de julho de 2026

 

SÉRIE NA PRANCHETA

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
O escritor Adão de Lima Jr. é ilustrador, editor e quadrinista. (Mora em Alvorada, RS). 
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Postado, pelo artista, no dia 10 de outubro de 2021, em seu canal do YouTube.
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- O BAOBÁ MOCINHO E O VENTO

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Nathiele Fagundes é contadora de histórias e autora dos livros infantis CADA PEDAÇO MEU e BAÚ DE HISTÓRIAS MANEIRAS. A escritora é historiadora, especialista em História e Cultura Afro-Brasileira e está cursando pedagogia. Mora em Alvorada, RS (nathicontandohistorias@gmail.com). 
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História infantil, O BAOBÁ MOCINHO E O VENTO, da escritora Heloísa Pires Lima. 
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segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

No ano de 1989 eu tinha 9 anos. Morava no bairro 11 de Abril, e na esquina havia um bazar que vendia revistas em quadrinhos.Essa foto é do primeiro Gibi que eu economizei pra comprar. O que mais se lia naquela época? A Teia do Aranha, X-Men, Demolidor, Justiceiro, e a revista Super heróis Marvel, que foi como eu pude conhecer um pouco mais sobre outros heróis. O que nós gostávamos na Marvel era o lado humanizado dos heróis, que mesmo com capacidades fodásticas, passavam por dramas e conflitos. Quando o Spider não conseguiu salvar Gwen Stacy eu estava sentado na sala do apartamento com o ventilador na cara, depois da aula. Foi bem triste esse dia. Houve a vez que o Demolidor teve a identidade revelada e foi espancando por vários vilões ao mesmo tempo, eu achei estranho ver o personagem principal todo ferrado, mas era diferente. Lembro quando o Frank Castle encontrou um vilão todo desgraçado que saia de baixo de uma pilha de corpos humanos, porque sua mãe tinha morrido em cima dele quando criança. Os X-Men estavam enfrentando a Fênix e o preconceito da sociedade, o Wolverine sempre tinha uma treta com outros heróis, lembro em guerras secretas quando tiveram que segurar ele porque iria bater no Capitão América, ou apanhar. Eu não gostava dos Vingadores e nem do Quarteto Fantástico, mas lia eventualmente. E as revistas da DC eu repugnava totalmente. Acho que a historia que mais me chocou foi quando o Justiceiro matou o Demolidor, o Homem Aranha e depois se suicidou junto com o Rei do Crime. Antes de ter o pescoço quebrado pelo Rei, o Frank deixou uma bomba implantada na sala. E sussurrou que sempre tinha um plano B. Bons tempos, eu fico feliz pra caramba em ver como esse universo cresceu e se tornou o que é hoje pra cultura pop.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no YouTube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Crônica, postada, em 28 de fevereiro de 2023, pelo autor, em sua página no Facebook.
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A ESPERA
PARTE FINAL
O gato lambeu as patas dianteiras, acariciando os próprios bigodes.
 Tudo bem, tudo bem. Noite ruim?
Pestanejou, o cheiro da luz estelar lhe invadindo as narinas.
 Tu não tem nenhuma gata pra correr atrás não? 
— Que nada, me caparam faz mó tempão. Agora no máximo ando pela rua de noite e fujo dos cachorros. 
 Tá pior que eu então. 
 Sei não. 
 Ué, não sou eu que não tenho bolas, ô bigodudo.
 E não sou eu quem tô falando com um gato.
Encarou o felino, ia responder, mas... onde tava o gato? Sumira assim que focara no bichano. Onde que eu vi isso antes? Gato que aparece e depois some e depois ri?
 Gato? 
Como não obteve resposta, pegou um cigarro no bolso e o acendeu. Que horas é isso? 
Três da manhã e nada. Cara... gente sem compromisso mesmo. Eu aqui me fodendo, perdendo a noite nessa bosta e nada de ninguém aparecer. Até um milico seria bem vindo. Pelo menos ia ter com quem conversar. Com gente, pelo menos. Nah, melhor não meter polícia nisso. Soltou uma baforada, saiu de cima do capô. Andou em círculos, falando sozinho. Numa das mãos segurava o cigarro, na outra a arma. Discutia os problemas da vida, chutava pedrinhas, chamava pelo gato, queria responder a altura o último desaforo. Sabe sair de cena, hein bichano?
Sons de passos surgiram no corredor escuro. Os homens chegaram logo depois, o encontrando falando sozinho, alheio ao beco, ao carro velho e ao gato, que em algum momento voltara e agora dormia descansadamente sobre o capô do carro velho. 
 Cara, o que tu tá fazendo aí? – Um deles perguntou.
Balançando o revólver, continuou andando em círculos, o barulho do azul noturno era como música suave.
 Ô! – O outro chamou, quase gritando.
Parou de súbito. Olhou ao redor, viu dois anões segurando sacos dourados nas mãos.
 Que cês tão fazendo aqui?
 Orra... quem é esse merda que o Humildão mandou dessa vez? – Um dos anões reclamou olhando para o amigo.
 Nanicos...
 Ei, quem é nanico aqui?
 Que? Você que são. Nem sabia que tinha bandido anão.
 E eu lá sou anão? 
 Nem eu sou!
 Olha aqui, vocês querem ou não querem fazer negócio?
Os homens se encararam sem entender.
 Querer a gente quer, mas cadê o dinheiro? 
 Ah... o dinheiro... – Levantou a cabeça observando, sonhador, o céu... vou pagar com estrelas... - Mano, o camarada tá chapado, véi... Ei, ei, ei, pera aí!
Apontou para a cabeça dos anões, atingindo seus abdomens. Em seguida, descarregou o resto dos projéteis onde os homens, surpresos com a própria morte, seguravam suas barrigas. Pegou os sacos dourados no chão e saiu cantarolando. Ao longe se ouvia o barulho de sirenes, e não eram de ambulância. O gato se aninhou, ignorando a confusão enquanto o homem ia embora saltitante e batendo os calcanhares. 

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

Ben Schaeffer é escritor, advogado e contador. Natural de Porto Alegre, reside em Alvorada, RS. Ávido leitor, lê vários gêneros, desde livros de ficção científica, de fantasia e de mistério até histórias em quadrinhos. É autor do livro Dan Plagg: o Porto das Bruxas e da série Histórias do Reino de Puphantia (O Grande Assalto e Os Fantasmas de Puphantus).  

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Conto, do autor, A ESPERA.
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