quarta-feira, 10 de junho de 2026

 

DO FUNDO DO BAÚ
Enquanto aguardo o atendimento na concessionária de energia elétrica, aproveito o ensejo pra te mostrar as origens de minha fixação em frases, ditados, provérbios populares, máximas, adágios, axiomas e gírias.
Neste momento de paciente espera, sem levar pro coração os transtornos que “a excelentíssima distribuidora de energia” tem causado à capital da solidariedade, trago à lume, resquícios de minha fragmentada construção linguística, iniciada nos idos dos anos oitenta, durante uma recessão braba, na qual, filas e mais filas se formavam, para receber o vale-leite do governo, na época do presidente Sarney.
Vamos lá! Tchê! Nem te conto! Tô mais faceiro que mulita em chuvisqueiro! Pra mim, que era mais grosso que dedo destroncado, esses provérbios caíram feito uma luva.
De fato, até a dona Candinha — aquela que, graças ao chicote do corpo, quando morrer, vai precisar de dois caixões — anda falando de bandeira despregada que, eu tomei tenência e agora sou um homem letrado, um verdadeiro cavalheiro. Vê se pode! Cada uma…
Desde que me embrenhei no emaranhado de ditados antigos, tenho aprendido um punhado de pulos do gato, que até Zeus duvida e nem tu acredita. Juro de dedinho! Verdade verdadeira! É vero! Que barbaridade!
No tocante a este que vos digita, desde piá, dava um dente para ficar na barra da saia de minha avó, pra ouvir dois dedos de prosa, lá na Caturrita, em Santa Maria, casa de madeira azul, onde moravam Dona Maria e seu José, meus avós maternos.
Bah! Tá louco! Saudade dói demais! Nossa! Valha-me Deus! Porque será que tudo o que é bom dura pouco? Não me pergunte onde fica o Alegrete!
Com efeito, uma nostalgia danada invade meu peito e o característico cheiro de naftalina, inebria minhas reminiscências literárias.
Bons tempos! Foi bom enquanto durou! Até porque, meus ascendentes já estão de bracinhos cruzados. Se é que, você me entende. Que Deus os tenha! Amém! Pelas barbas do profeta! Macacos me mordam! Danação! Pasmem os senhores! Por incrível que pareça, ambos, já apitaram na curva, cantaram pra subir, bateram a caçuleta, vestiram o paletó de madeira, foram pra cidade dos pés juntos, pro saco, pra banha, serviram arroz com galinha, cafezinho e chá com bolinho.
No entanto, os ditados que ouvi de meus avós, ainda estão tinindo em minhas orelhas de abano, feito o sino do padre João a badalar na velha capela da boca do monte.
Por este motivo, venho por meio deste bilhetinho, dar o pontapé inicial nesta saga exegética dos ditados que marcaram gerações e meu desiderato é que, ao ler estas linhas, a sabedoria de nossos antepassados, torne seu dia um baita dia, um dia e tanto, do tamanho do Rio Grande. 
Amém
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

Natural de Alvorada, RS, Deodato Júnior é motorista de aplicativo e palestrante. Criativo e versátil, o autor costuma criar diferentes pseudônimos para suas obras. São os casos de Salomau, criado para os livros O Lobisomem do Leprosário, Provérbios de Salomau e Teste Vocacional para Motoristas de Aplicativo e; de Crisóstomo, nas obras A Bruxa da Bom Jesus: Histórias que até Zeus duvida e Boca Braba.

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Crônica DO FUNDO DO BAÚ
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terça-feira, 9 de junho de 2026

   

UM SOPRO DE AMOR


Vivo em anseio desse amor
que me revira e me contenta,
me amola como esmola.
Um sopro minuano serrano,
tão alto como o Morro da Borússia,
que se choca com a vista
do céu e da liberdade,
de pés descalços sobre a terra.
A energia penetra
como o sopro do amor.
Adiante, os olhos veem a lua surgir
e um anunciado de cometas arranhando o céu,
brindando as estrelas
e a mais bela cadente.
E do amor que deixei pousar como o beija-flor,
a beber o néctar do meu coração,
meloso pelo teu amor.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada. 
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N.E.: o Morro da Borússia é um importante ponto turístico do município de Osório, RS.
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domingo, 7 de junho de 2026

 

ÀS VEZES O CORPO FALA ANTES DA BOCA
Um bocejo, para muitos, parece apenas sono, cansaço ou desinteresse. Mas nem sempre é assim. Há pessoas que bocejam de forma involuntária, repetida, inesperada, e logo precisam enfrentar o olhar desconfiado dos outros:
Está com sono?” “Está entediado?” “Não está prestando atenção?”
Nem sempre.
O ser humano ainda julga muito pela aparência do gesto. Vê uma pessoa calada e pensa que ela está triste. Vê alguém sério e pensa que está bravo. Vê alguém bocejando e conclui que está desinteressado. Mas o corpo tem suas linguagens próprias. Às vezes o bocejo é reflexo. Às vezes é tensão. Às vezes é ansiedade escondida. Às vezes é respiração descompassada. Às vezes é sono mal dormido, preocupação acumulada, excesso de pensamentos ou simples tentativa do organismo de buscar equilíbrio.
E como julgamos depressa.
Vivemos num tempo em que quase ninguém pergunta com delicadeza. Muitos preferem apontar, ironizar ou tirar conclusões. O bocejo vira ofensa. O silêncio vira desprezo. A distração vira falta de educação. A dor invisível vira frescura.
Mas cada pessoa carrega dentro de si uma batalha que nem sempre aparece no rosto. Há corpos cansados que continuam de pé. Há mentes inquietas que parecem tranquilas. Há trabalhadores que seguem firmes, mesmo quando a alma pede descanso. Há gente que não está entediada com a vida; está apenas tentando respirar melhor dentro dela.
Talvez precisemos recuperar a humanidade do olhar.
Antes de perguntar se alguém está com sono ou entediado, talvez seja melhor perguntar:
Está tudo bem contigo?”
Essa pequena mudança já revela muito. Porque uma pergunta pode ferir, mas também pode acolher. Uma palavra pode constranger, mas também pode abrir espaço para compreensão.
O bocejo involuntário pode ser apenas um detalhe passageiro. Mas também pode ser um sinal de que o corpo está pedindo atenção. Não é motivo para pânico, mas também não deve ser motivo de deboche. Se algo se repete demais, merece observação. Se incomoda, merece cuidado. Se começa a afetar a convivência, merece explicação serena e, se necessário, orientação médica.
O importante é não transformar um reflexo do corpo em julgamento moral.
Ninguém sabe o peso que o outro carrega. Ninguém sabe quantas noites mal dormidas existem por trás de um rosto aparentemente calmo. Ninguém sabe quantas preocupações cabem dentro de um simples bocejo.
Que sejamos menos apressados em condenar e mais generosos em compreender.
Porque, às vezes, o corpo boceja não por tédio da conversa, mas por excesso de mundo.
 
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

Sargento aposentado da Brigada Militar, Damião Oliveiraé graduado em Tecnologia de Gestão e Gerenciamento de Recursos de Polícia Militar, com pós-graduação em Ciências Jurídicas e Afins do Policiamento Comunitário. Natural de São Gabriel, o escritor, membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), reside em Alvorada, RS. Autor de doze livros, é imortal de diversas academias de letras nacionas e internacionais. E, o criador do projeto Semeando Sonhos, Colhendo Realidades, o qual doa livros e e-books para escolas, associações e sociedade em geral. 
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Crônica, postada, em 07 de junho de 2026, pelo autor, em sua página no Facebook.
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sábado, 6 de junho de 2026

 

NINGUÉM É PERFEITO.

 

fui muito criticada,
mas nunca desisti.
Porque sou forte e corajosa
e não cheguei ao fim.
Tenho os meus defeitos
e também as qualidades.
Não posso julgar ninguém,
porque tenho dignidade.
Cada um tem a sua vida
para fazer o que quiser.
tem que aceitar
tudo aquilo que vier.
Alguns anos atrás
comecei a plantar histórias.
Hoje estou colhendo,
colocando na memória.
Assim, as minhas raízes
vão começar a brotar.
Vão nascer novas histórias,
e alguém vai contar.   

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

A escritora Maria Rosa, natural de Santo Antonio da Patrulhaé membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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BRINCAR, RIR E SONHAR
Ser criança é poder sonhar com fadas, duendes e super-heróis. Acreditar no Pai Natal. Brincar com bonecas, carrinhos e jogar à bola. Amar e ser amado.
milhões de crianças em todo o mundo a quem este direito foi retirado, que têm de lutar para se manterem vivas, para ter um prato de comida, que nunca tiveram um lar, nem receberam amor.
Tantas a quem é negada a educação e imposto o trabalho, que sofrem abusos sexuais, físicos e psicológicos.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, todos os dias morrem no mundo cerca de 16.000 crianças menores de 15 anos, das quais mais de 13.000 com menos de 5 anos. A esmagadora maioria destas mortes deve-se a causas perfeitamente evitáveis ou tratáveis.
Neste Dia da Criança, escrevo estas linhas para relembrar que todos os meninos e meninas devem ter o direito de ser crianças — de brincar, rir e sonhar. De serem, simplesmente, felizes.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 02 de junho de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
N.E.: em Portugal, o Dia da Criança é comemorado em 01 de junho.
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