— Já foi!
Imaginei, quando cruzei pelo portão. Havia motivos de sobra para ela ir. Afinal de contas, não era a primeira vez que me atrasava, só naquele mês. Também, quem iria acreditar nas minhas desculpas? Está certo que, na verdade, não tinha nenhuma desculpa. Exausto, após o almoço, adormeci no sofá de casa...
Mesmo assim, a procurava com o olhar. Logo a avistei. Estava em um banco, do outro lado do Parque Municipal.
Fui até ela.
— Oi... Amor?
Zangada, Martinha me olhou bem nos olhos:
— Esqueceu de mim... Outra vez!
— Eu? Não, não esqueci, juro! Acontece que...
— Não enrola, diz logo, na minha cara: o que significo para você, afinal?
— Tudo.
— Só isso?!
— Como só isso? Tudo é muita coisa, não acha?
— Pode ser, mas não explica nada; é genérico demais, Rogério!
"Que nó, hein? Difícil de desfazer.", pensei.
— Está linda! Falo sério: caprichou mesmo desta vez!
Mordeu os lábios:
— Hum... E das outras, não?
Cocei a cabeça:
— Posso sentar?
— Claro; senta! É um lugar público, não é mesmo?
Coloquei a mochila sobre o colo. Tirei uma garrafa PET:
— Quer água?
— Não estou com sede!
— Com fome?
Ofereci uma barra energética.
— Não, obrigada!
— Okay! Se você não quer...
Fiquei observando a lagoa: as leves ondas, os juncos, as flores na margem. Ela era o grande atrativo do parque que levava o seu nome:
"La-go-a-do-Co-cão, La-go-a-do...", soletrava comigo.
Bebi um gole, no bico. Mordisquei a barrinha, pensativo:
— Claro; senta! É um lugar público, não é mesmo?
Coloquei a mochila sobre o colo. Tirei uma garrafa PET:
— Quer água?
— Não estou com sede!
— Com fome?
Ofereci uma barra energética.
— Não, obrigada!
— Okay! Se você não quer...
Fiquei observando a lagoa: as leves ondas, os juncos, as flores na margem. Ela era o grande atrativo do parque que levava o seu nome:
"La-go-a-do-Co-cão, La-go-a-do...", soletrava comigo.
Bebi um gole, no bico. Mordisquei a barrinha, pensativo:
— Por que será que é Cocão, hein?
— Como? — Martinha indagou, distraída.
— É; sabe por que é Cocão?
— O quê? Do que está falando, Rogério?
— O nome da lagoa.
— E eu é que sei? Vai ver, tinham muitos cocões nessa região, sei lá!
— Tem razão; vai ver é isso. Mas não deixa de ser interessante, não acha? Cocão...
— Lá vem você com esse papo, de novo! Até parece obsessão. Fala: o que tem de tão interessante, assim?
— O quê? Do que está falando, Rogério?
— O nome da lagoa.
— E eu é que sei? Vai ver, tinham muitos cocões nessa região, sei lá!
— Tem razão; vai ver é isso. Mas não deixa de ser interessante, não acha? Cocão...
— Lá vem você com esse papo, de novo! Até parece obsessão. Fala: o que tem de tão interessante, assim?
— É um nome forte; diferente.
— Ah, tá!
— Martinha... Você... Vai viajar no feriado?
— É quase certo. Meus pais vêm preparando isso, há meses.
— Que pena; senão a gente podia se ver!
— Rá; rá; rá! Não me faça rir.
— Vem cá... — tentei beijá-la, porém, virou o rosto.
— Ah, tá!
— Martinha... Você... Vai viajar no feriado?
— É quase certo. Meus pais vêm preparando isso, há meses.
— Que pena; senão a gente podia se ver!
— Rá; rá; rá! Não me faça rir.
— Vem cá... — tentei beijá-la, porém, virou o rosto.
CONTINUA...
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!O escritor Anderson Vicente é professor de História e graduado em Gestão Ambiental, com pós-graduação em Educação Ambiental. Reside em Alvorada, RS, onde ajudou a fundar o Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Tem diversas participações em coletâneas de contos, crônicas e poemas. É autor dos livros juvenis Às voltas com a caveira e Na trilha dos zumbis.
_________________________
Conto CERTO DIA NO PARQUE..., publicado no livro Contos de Alvorada (coletânea de contos do Clube dos Escritores de Alvorada, 2021).