segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

 

VIDA
Parte VI - Primavera 
 Pode.
— Já faz tempo.
 Faz... estive aqui uns dez anos atrás.
 Bem atrasada então.
 Como você sabe sobre a promessa?
 Gostava do seu cabelo curto, não sei se te disse isso alguma vez.
 Você nunca disse que gostava de alguma coisa.
 Sim... nunca disse.
 Tudo bem com você?
 Está. Só estou pensando no quanto isso é estranho.
Ela observa a filha correndo ao redor do lago.
 Não tem nada de estranho. É só a vida.
 A gente não sabia de nada. — Se aproxima de onde a mulher está. Sente o perfume suave.
 Acho que continuamos assim.
 É, pode ser.
 Você não me disse como sabia que não cumpri a promessa.
 Eu prometi também, não foi?
 E daí?
 Você sabe, não preciso explicar.
— Ah, é? Então esteve aqui e eu te dei o bolo.
Ele ri, envergonhado.
 Um bolo de décadas.
 Mãe, vem aqui!
 Vou ver o que ela quer. Foi bom te ver.
 Claro, foi sim.
Se afasta enquanto ele fica para trás. A observa com a menina por um tempo, depois se afasta da capela, pegando a trilha de volta.
 Espera!
A menina é quem o chama.
 O que foi?
 A mãe perguntou se você não quer ir conosco na sorveteria?
— E porque ela mesma não perguntou?
— Não sei.
— Pode dizer a ela que sim?
A menina corre de volta para a mãe. Enquanto ambas retornam até onde ele está, as memórias vão se tornando mais vívidas, como uma música que tocasse ao ritmo dos passos da mulher que vem ao seu encontro. 

Ben Schaeffer é escritor, advogado e contador. Natural de Porto Alegre, reside em Alvorada, RS. Ávido leitor, lê vários gêneros, desde livros de ficção científica, de fantasia e de mistério até histórias em quadrinhos. É autor do livro Dan Plaggo Porto das Bruxas e da série Histórias do Reino de Puphantia (O Grande Assalto e Os Fantasmas de Puphantus).  

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Conto, do autor, VIDA.
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Após o jantar, que se constituiu em um prato de arroz com carne de panela e batatas, eu voltei pra antiga casa e me sentei no sofá da sala para digerir e pensar mais em tudo. A nossa mente pode criar nexos que na verdade são resultados da cultura que herdamos. O velho Rosenberg acreditava que a floresta era um ser com vida e consciência porque era um homem simples do campo. Talvez tenha ouvido essa história dos seus pais, que por sua vez também ouviram das gerações anteriores. O que era verdade estava na pedra e no altar, e nos estranhos bonecos de pano. Qual a ligação que teriam? Decidi ignorar toda percepção mística e folclórica para uma especulação puramente cientifica. O culto à entidade do meteoro poderia ser real, e as percepções sobre a floresta seriam, então, o resultado psicológico das histórias que foram contadas ao longo dos anos. Estava olhando para uma antiga e empoeirada foto de família na parede, meu pai usava um bigode cômico para os nossos dias, e a minha mãe estava com uma seriedade demasiada na face, logo, sem perceber, caí nas brumas do sono. 
Eu era criança novamente, estava indo com meu amigo boneco de pano para a floresta. Novamente os galhos das árvores se agitavam com o vento noturno, e na escuridão que reinava ao longo da trilha eu podia perceber sombras se movimentando sorrateiramente, acompanhando-me na trilha escura, espreitando meus passos. Com muito medo apertei o boneco no meu peito, e seguindo em frente eu sabia que chegaria no altar com a pedra negra do espaço. Quanto mais adentrava naquele pesadelo, mais percebia que o horror se revelava para mim, no entanto, sentia uma atração mórbida pela situação. Eu podia ouvir vozes como se fossem lamentos soprados pelo vento, e por um instante tive a impressão de ver faces humanas disformes emergindo das sombras da floresta, contorcendo-se e agonizando umas por cimas das outras. Finalmente ao chegar onde deveria estar a pedra e o altar, enxerguei a silhueta escura de alguém em pé, parecia estar me esperando. Para o meu terror, percebi que era a minha mãe. Estava mais jovem e usava o vestido branco de anos atrás, o seu corpo estava tomado pelo lodo negro do pântano. Não pude conter as lágrimas.
— Mamãe...
— Meu filho, ele veio do céu. E ele tem presentes, ele só precisa que você aceite de coração.
— Eu estou com medo, mamãe.
— Venha meu filho, dê um abraço na sua mãe, venha, ele é bom, ele vai mostrar tudo pra você, meu amor! 
Ela estava também segurando a tigela do altar, oferecendo-a para mim. Dentro estava o lodo negro e viscoso do pântano, eu já não conseguia enxergar mais o corpo da minha mãe como antes, os seus membros inferiores estavam se fixando no chão como as raízes da figueira, uma baba espumosa lhe escorria no canto direito da boca, o olhar não tinha brilho, os olhos pareciam dois buracos negros sem fim sugando tudo que enxergavam com fome e voracidade. Eu desejei acordar. Ao despertar, antes do abraço da morte, o silêncio absoluto contrastava com o meu espírito. Dentro de mim a situação toda, que parecia loucura, precipitava-se e tornava-se questão de honra: eu precisava provar para mim mesmo que nada estava acontecendo. Preparei uma dose do uísque que trouxe para alguma eventualidade. Com o copo na mão olhando para a figueira tomei uma decisão: eu iria pegar a marreta do meu pai e fazer como ele, entretanto, quebraria a pedra negra. 

CONTINUA...

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.

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Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
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PRIMAVERA

 
A estação das Flores
Deixando nossos corações floridos
   de Amor
   de Esperança
   de Paz
   de Perseverança
   de Harmonia.
A estação Colorida
   brotam os jardins
   beija-flor
   o canto do sabiá
   o canto do bentivi
estação Perfumada
   o perfume é recompensador
   perfumando até a nossa essência.
A estação da Alegria
   deixando nossos dias mais radiantes.
A estação de Transição
   entre o inverno e o verão.
A estação das Flores
                  PRIMAVERA
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Poema PRIMAVERA da escritora Cristina RibeiroJade Poeta. (Mora em Alvorada, RS).
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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

 

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO?

Antes de adentrar nos portais do templo anacrônico e idiossincrático da Comunidade hermética Uber revoltado com hipócritas, mais conhecida como Uber Church, lugar de gente infeliz, me atualize, por gentileza: como você está, caro leitor? Temo que, em maus lençois. É boca braba! Que Deus nos proteja do grande reset, que está chegando mais rápido que os boletos. 
Agora, como evangelista, deixa eu te fazer a pergunta que não quer calar: Já recebeu Jesus Cristo, como seu único e suficiente salvador? Ainda não? Sério? Você está preparado para a grande tribulação? Vigia, varão! Então? Me diga! Fala daí, que eu escuto daqui, em meu bunker apocalíptico. Decodificando: meu HB20, um verdadeiro tanque de guerra. O melhor guerreiro para enfrentar o exército de buracos da grande Porto Alegre. 
pensando que aqui é Sorocaba? Uber não é comédia! Fala que eu te Uber! Uber também é cultura! Vira Uber, pô! Receeeeeeebaaaaaa o link!
A propósito, como vão os trabalhos da ONU, o Fórum Econômico Mundial, o transumanismo e a criação de quimeras, os Illuminati e a Nova Ordem Mundial, o Clube do Bolinha, adrenocromo, Agenda 2030, o crédito de carbono, invasões alienígenas fake, Projeto Blue Beam e o falso Messias, o colapso do sistema religioso, financeiro e social, com os magnatas se protegendo em seus bunkers e o Big Brother puxando os cordeis?
Não me diga que ainda existe dinheiro físico! O grande reset ainda não aconteceu? Nada de ataque cibernético, apagão e blackout da internet? Você já foi marcado na mão direita ou na testa? O grande irmão já resolveu os conflitos do oriente médio, autorizou a reconstrução do terceiro templo de Israel, destruiu o catolicismo Romano, enganou os judeus, usurpou o título de Messias e congregou as nações para atacar Israel?
Nem notícia de uma terceira guerra mundial, nova pandemia ou insubordinação da inteligência artificial? E quanto à redução populacional, como estava escrito nas pedras da Geórgia, ainda não? 
Não diga! Tá de sacanagem? Então? Quer dizer que, eu li 1984, Admirável mundo novo, estudei escatologia durante décadas e tudo não passou de teorias de conspiração? Será que, meu terceiro olho, que quase tudo vê, está procurando pelo em ovo e chifre em cabeça de cavalo ou realmente, estamos sendo conduzidos a passos largos, pelo curral da engenharia social, sob o olhar discreto, mas maquiavélico, de psicopatas brincando de Deus? Bem, você decide! Te engane com teus próprios olhos! Só não diga que não foi avisado!

Natural de Alvorada, RS, Deodato Júnior é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Escreve, realiza palestras e já foi motorista de aplicativo — período que serviu de laboratório para várias de suas histórias. Criativo e versátil, o autor costuma criar diferentes pseudônimos para suas obras. São os casos de Salomaucriado para os livros O Lobisomem do LeprosárioProvérbios de Salomau e Teste Vocacional para Motoristas de Aplicativo e; de Crisóstomo, nas obras A Bruxa da Bom JesusHistórias que até Zeus duvida e Boca Braba.

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N.E. Trecho da introdução do livro PERSONA NON GRATA, do pseudônimo Salomau
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sábado, 22 de novembro de 2025

 

A MINHA HIPOCRISIA 

 

Talvez eu seja hipócrita,
do meu jeito atrevida.
Mas tudo isso que sou,
é o que tenho na vida.

Falam que sou hipócrita,
porque gosto de sonhar.
Talvez eu seja bandida,
do meu jeito de amar.
 
Não posso prejudicar ninguém,
porque tem que ser assim.
Não vou perder a minha moral,
aqui dentro de mim.
 
Nem posso ficar parada,
pelo o resto da minha vida.
Estou sempre fazendo algo,
para encontrar a saída.
 
Veja só o resultado,
da minha hipocrisia.
Continuarei montando as palavras,
transformando em poesia. 

Poema A MINHA HIPOCRISIA, da escritora Maria Rosa. Natural de Santo Antonio da Patrulha, a autora  é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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O PRECONCEITO

 

Poema O PRECONCEITO, da escritora Maria Rosa. Natural de Santo Antonio da Patrulha, a autora  é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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 Poema escrito e declamado pela autora para o Dia da Consciência Negra.
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 OS OLHOS


Ora atentos para o universo,
Ora dispersos no contexto do ego.
Ora brilhantes, feito diamante,
No sentimento que aflora a felicidade.

Os olhos que tudo veem e, no toque, tudo sentem;
Sentidos que despertam, mesmo sem visão,
Porque sentir também é uma forma de enxergar.

Olhos que beijam sem que os lábios toquem.
Olhos que adormecem e veem, em outra dimensão,
O sonho sonhado.
Olhos que desejam ser espelho
Para enxergar no outro o futuro.

Olhos.
Olhos de tigre ou de gato, sendo amuleto de sorte.

Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada. 
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Poema OS OLHOS.
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