Ben Schaeffer é escritor, advogado e contador. Natural de Porto Alegre, reside em Alvorada, RS. Ávido leitor, lê vários gêneros, desde livros de ficção científica, de fantasia e de mistério até histórias em quadrinhos. É autor do livro Dan Plagg: o Porto das Bruxas e da série Histórias do Reino de Puphantia (O Grande Assalto e Os Fantasmas de Puphantus).
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
Eu era criança novamente, estava indo com meu amigo boneco de pano para a floresta. Novamente os galhos das árvores se agitavam com o vento noturno, e na escuridão que reinava ao longo da trilha eu podia perceber sombras se movimentando sorrateiramente, acompanhando-me na trilha escura, espreitando meus passos. Com muito medo apertei o boneco no meu peito, e seguindo em frente eu sabia que chegaria no altar com a pedra negra do espaço. Quanto mais adentrava naquele pesadelo, mais percebia que o horror se revelava para mim, no entanto, sentia uma atração mórbida pela situação. Eu podia ouvir vozes como se fossem lamentos soprados pelo vento, e por um instante tive a impressão de ver faces humanas disformes emergindo das sombras da floresta, contorcendo-se e agonizando umas por cimas das outras. Finalmente ao chegar onde deveria estar a pedra e o altar, enxerguei a silhueta escura de alguém em pé, parecia estar me esperando. Para o meu terror, percebi que era a minha mãe. Estava mais jovem e usava o vestido branco de anos atrás, o seu corpo estava tomado pelo lodo negro do pântano. Não pude conter as lágrimas.
— Meu filho, ele veio do céu. E ele tem presentes, ele só precisa que você aceite de coração.
— Eu estou com medo, mamãe.
— Venha meu filho, dê um abraço na sua mãe, venha, ele é bom, ele vai mostrar tudo pra você, meu amor!
Ela estava também segurando a tigela do altar, oferecendo-a para mim. Dentro estava o lodo negro e viscoso do pântano, eu já não conseguia enxergar mais o corpo da minha mãe como antes, os seus membros inferiores estavam se fixando no chão como as raízes da figueira, uma baba espumosa lhe escorria no canto direito da boca, o olhar não tinha brilho, os olhos pareciam dois buracos negros sem fim sugando tudo que enxergavam com fome e voracidade. Eu desejei acordar. Ao despertar, antes do abraço da morte, o silêncio absoluto contrastava com o meu espírito. Dentro de mim a situação toda, que parecia loucura, precipitava-se e tornava-se questão de honra: eu precisava provar para mim mesmo que nada estava acontecendo. Preparei uma dose do uísque que trouxe para alguma eventualidade. Com o copo na mão olhando para a figueira tomei uma decisão: eu iria pegar a marreta do meu pai e fazer como ele, entretanto, quebraria a pedra negra.
_________________________Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
A estação das Flores
Deixando nossos corações floridos
de Amor
de Esperança
de Paz
de Perseverança
de Harmonia.
A estação Colorida
brotam os jardins
o beija-flor
o canto do sabiá
o canto do bentivi
A estação Perfumada
o perfume é recompensador
perfumando até a nossa essência.
A estação da Alegria
deixando nossos dias mais radiantes.
A estação de Transição
entre o inverno e o verão.
A estação das Flores
PRIMAVERA!
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
Natural de Alvorada, RS, Deodato Júnior é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Escreve, realiza palestras e já foi motorista de aplicativo — período que serviu de laboratório para várias de suas histórias. Criativo e versátil, o autor costuma criar diferentes pseudônimos para suas obras. São os casos de Salomau, criado para os livros O Lobisomem do Leprosário, Provérbios de Salomau e Teste Vocacional para Motoristas de Aplicativo e; de Crisóstomo, nas obras A Bruxa da Bom Jesus: Histórias que até Zeus duvida e Boca Braba.
sábado, 22 de novembro de 2025
Talvez eu seja hipócrita,
do meu jeito atrevida.
Mas tudo isso que sou,
é o que tenho na vida.
Falam que sou hipócrita,
porque gosto de sonhar.
Talvez eu seja bandida,
do meu jeito de amar.
Não posso prejudicar ninguém,
porque tem que ser assim.
Não vou perder a minha moral,
aqui dentro de mim.
Nem posso ficar parada,
pelo o resto da minha vida.
Estou sempre fazendo algo,
para encontrar a saída.
Veja só o resultado,
da minha hipocrisia.Continuarei montando as palavras,
transformando em poesia.
Poema A MINHA HIPOCRISIA, da escritora Maria Rosa. Natural de Santo Antonio da Patrulha, a autora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes. Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz.
Poema O PRECONCEITO, da escritora Maria Rosa. Natural de Santo Antonio da Patrulha, a autora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes. Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz.
Ora atentos para o universo,
Ora dispersos no contexto do ego.
Ora brilhantes, feito diamante,
No sentimento que aflora a felicidade.
Os olhos que tudo veem e, no toque, tudo sentem;
Sentidos que despertam, mesmo sem visão,
Porque sentir também é uma forma de enxergar.
Olhos que beijam sem que os lábios toquem.
Olhos que adormecem e veem, em outra dimensão,
O sonho sonhado.
Olhos que desejam ser espelho
Para enxergar no outro o futuro.
Olhos.Olhos de tigre ou de gato, sendo amuleto de sorte.
Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada.