sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

 

ANO NOVO, VIDA NOVA

Ano Novo Vida Nova” é um ditado popular em países de língua portuguesa. A expressão inglesa “New Year, New Life” espelha a universalidade desta mensagem de esperança e de um novo recomeço. O desejo de mudança, de novas oportunidades e de um futuro melhor é uma aspiração transversal a todos os povos e culturas.
A celebração do Ano Novo ocorre em várias datas pelo mundo. Este evento, no calendário gregoriano, adotado pela maioria dos países, comemora-se no primeiro dia de janeiro, em 39 momentos distintos devido aos fusos horários de cada país. Diversas culturas e religiões têm datas móveis para este festejo. O Ano Novo Chinês segue o calendário lunar; o Rosh Hashaná (Ano Novo Judaico) segue o calendário lunar judaico; o Nowruz (Ano Novo Persa) coincide com o equinócio da primavera no Hemisfério Norte.
Independentemente do calendário ou da cultura, o desejo de um ano mais próspero une os povos nesta celebração global. Mas será este o pedido mais premente a fazer quando as 12 badaladas da meia-noite soam?
Neste contexto de ambição e esperança, apraz-me citar uma antiga prece portuguesa:
E o que você quer que o Novo Ano lhe traga? Nada, não quero que me traga nada. A única coisa que quero é que não me leve. Que não leve o teto que me protege, o prato que me alimenta, a manta que me aquece, a luz que me alumia, o sorriso dos meus amados, a saúde como um tesouro, o trabalho como sustento, a amizade, a companhia, os abraços e os beijos. Que não leve os sonhos, nem os pedaços dos corações, formados por pessoas, que carrego dentro de mim.”
Após o rescaldo da invocação dos desejos, esta sapiente oração fez-me refletir. Pensar em tudo o que tenho. Ponderar o que ambiciono. Meditar sobre a situação do mundo. Valorizar quem sou. Ser grata por ser tão afortunada.
A ambição humana incita-nos a querer sempre mais e a desvalorizar o que temos. Num início de novo ciclo, em que a guerra e a fome são uma realidade em tantos cantos deste planeta, é premente considerar a importância da preservação do que temos e conquistámos. É importante manter as relações humanas, os sentimentos e os afetos. É fundamental ser grato.
O Ano Novo implica um compromisso pessoal de mudança, de reconhecimento e de engrandecimento. Esta postura não deve desincentivar a continuidade da caminhada em busca dos nossos sonhos.
Que o ano de 2026 seja como um horizonte dourado, onde cada amanhecer nos recorde a beleza de preservar o que amamos e a esperança de sonhar

Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 06 de janeiro de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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     HOJE ACORDEI POETA


Escutei o canto do pássaro,

a chuva tilintando

O vento soprando.


O amor reinando,

os sonhos se reinventando,

o sorriso largo aos olhos,

sobre o espelho sereno do lago.


Acordei poeta,

sonhando acordada,

vendo a vida se manifestar

como o soar do silêncio,

no raio de sol que adentra

pela fresta da janela.


Um belo despertar, de uma alma poeta.

 

Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada. 
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

 

CRIA DE ALVORADA

 

Eu sou cria de Alvorada do passo do Feijó Me desculpem o trocadilho É onde corre o arroio Feijó É bem facinho de achar pra vir de Porto Da pra vir de Viamão Está é minha terrinha Eta cidade minha Eu cresci na rua Albion Estudei no Júlio e no Godoy Queria estudar no Castro Mas isso não deu não Eu nasci em Alvorada do passo do Feijó Está é minha terrinha Eta cidade minha 
 
Natural de Alvorada, RS, Henrique Domingues é  membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É compositor, músico e poeta. 
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Poema CRIA DE ALVORADA.
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ALMA DE POETA

 

Tenho alma de poeta, sinto perfume pelo ar. Estou carregando boas energias, que vêm da terra e do mar. Vejo lâminas de esmeraldas, em um conjunto vibrante. Escuto uma linda sinfonia, no ouvido a todos estantes. Raios de sol estão brilhando, no meio da floresta. Continuo escutando melodias que vêm de uma orquestra. Agora ficou mais lindo, com os cantos dos passarinhos. Estou aqui escutando, na beira do caminho. Como é gratificante, poder sempre viajar. Tenho alma de poeta, e não paro de sonhar. 

Poema ALMA DE POETA, da escritora Maria Rosa. Natural de Santo Antonio da Patrulha, a autora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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SEUS OLHOS NO ESPELHO

 

Ao te olhar, Me vejo refletida, Num piscar… A brisa que sopra, Em seu rosto, Revela tamanho desgosto… Sofro calada, E após, maltratada Por incansáveis horas, Trabalhando, repousa. Descansa seu brilho, Ao chorar… Somente quando, Uma lágrima de sofrimento, No seu rosto, Faz rolar.

Janaína Rosa é natural de Porto Alegre e reside em Alvorada, RS. Cabeleireira, artesã, cantora e compositora, a escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Começou escrevendo letras de músicas e poemas para o Instituto Ecovox. Em 2023, teve o poema Sintonia do Mar selecionado para o concurso Poeta Passageiro: poesia na viagem. A autora foi presidente da Associação de Músicos de Alvorada (AMUSA) e é vice-presidente do Instituto Alvorecer. Neste ano, teve o poema Bairro Passo do Feijó selecionado para a coletânea Alvorada por 60.

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Poema SEUS OLHOS NO ESPELHO. 
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PAIRA, PAIRAVA E PARARÁ

 

Pairava o sopro eterno sobre o nada,
Paira a luz primeiro, mansa e acesa;
Parara o tempo à beira da alvorada,
No gesto criador que ergue a natureza.
 
Em cima das águas, quietas, suspense,
Movia-se o invisível fundamento;
O Espírito de Deus, que nunca vence
O caos, transforma tudo em nascimento.
 
E quando a voz sagrada então soou,
Rasgou-se o véu, abriu-se a criação;
Do fundo escuro a vida despertou.
 
E até hoje, no eterno da amplidão,
O verbo que criou o mundo ecoa
E o Espírito de Deus paira nas águas.
 
Natural de São Gabriel, Damião Oliveirareside em Alvorada, RS. O escritor, membro do Clube dos Escritores de Alvorada, é autor dos livros Sonetos para Deus, Buquê de Flores Pinhal em VersosE, o criador do projeto Semeando Sonhos, Colhendo Realidades, o qual doa livros e e-books para escolas, associações e sociedade em geral. 
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Poema PAIRA, PAIRAVA E PARARÁ, do escritor Damião Oliveira
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domingo, 28 de dezembro de 2025

 

UMA MULHER DE VERMELHO
O homem estava parado na praça, próximo ao canteiro central, parecia admirar o brilho dos sapatos, coisa rara neste tempo chuvoso. De vez em quando levantava o olhar em direção ao ponto de ônibus, talvez esperasse alguém. Foi quando apareceu a moça de vermelho; o vestido primaveril não combinava com o dia nublado. Ela não parecia importar-se com a aragem fria da cidade marítima. Continuou olhando na direção da jovem, o jeito dela segurar a bolsa não deixava dúvidas quanto a sua profissão, aqueles movimentos do queixo enquanto mascava um chiclete, deixava à mostra os dentes manchados com batom. Ele desviou o olhar quando viu a chegada do ônibus, a mulher que desceu era gorda, não gordinha, obesa. Ela caminhou em direção a ele, que foi ao seu encontro, espiando com o canto dos olhos a mulher de vermelho. A gordinha vinha encurvada sobre o peso da sacola que carregava. Ele a alcançou e mesmo sem cumprimentá-la, livrou-a do esforço.
A mulher de vermelho parou observando os dois. Sem dizer uma palavra, ele afastou-se em direção a passagem de pedestres. A mulher de vermelho alcançou-o e falou-lhe com voz grave:
 Polícia, o senhor está preso por tráfico de armas...

Anderson Vicente é escritor, gestor ambiental e formando em História. Reside em Alvorada, RS, onde ajudou a fundar o Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Tem diversas participações em coletâneas de contos, crônicas e poemas. É autor dos livros juvenis Às voltas com a caveira Na trilha dos zumbis.

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Conto UMA MULHER DE VERMELHO, publicado no livro Alvorecendo: Escritores e Poetas de Alvorada, RS (coletânea de contos do Clube dos Escritores de Alvorada, 2002).
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