quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

  

A FIGUEIRA

  

Eu a olhava de  baixo para cima 
Sentindo toda energia e magnitude centenária 
Que brotava em seus galhos 
Sua copa arremetia a uma coroa ancestral 
Transmitindo sabedoria e esplendor 
Fico imaginando quantas pessoas ali 
Passaram entre suas sombras 
Quantos piqueniques já acolheu 
Quantos casais a enamorar
Quantas pessoas a se abrigarem 
Por isso, ao passar  não deixo de reverenciar
Pois quantas oferendas e quantos pedidos com
diversas energias por ali passaram contemplando 
A sagrada majestade a "Figueira". 
 
Morador de Porto Alegre, RS, Rony Moreira é professor, poeta e radialista. Autor da fábula MACHADINHO: O PINTINHO SONHADOR, tem vários textos publicados nas coletâneas VOZES ALVORADENSES e 20 POEMAS PARA NOVEMBRO (Volumes 1, 2 e 3).
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Poema, A FIGUEIRA, de Rony Moreira
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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 

A CULTURA

 
A cultura canta e encanta
ama e refaz
nutre  e se satisfaz
A cultura
tem paixão
amor e atração
A cultura
é misteriosa
ardente e sorridente
A cultura
sobrevive das pessoas que
acreditam nela
na resistência, como uma fênix,
A cultura
é a força do povo,
das comunidades, das periferias
A cultura
é a base daqueles que confiam. 
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Poema A CULTURA de Cristina RibeiroJade Poeta. A autora mora em Alvorada, RS, e é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA).
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1 9 7 0
Parte I
Penso em morte, penso em 1970, penso em morte por afogamento.
Péssimos pensamentos, considerando que nasci no final nos anos 1970 e, portanto, não deveria pensar em uma época que só existe para mim por meio de informações da internet, filmes e séries.
Mas... sempre que penso naquele período, sinto como se o sol tivesse aquecido minha pele por algum tempo, sinto que não tinha muito dinheiro, que vivia em uma cidade enorme e, de vez em quando, acho que me envolvi em alguns crimes. Não de todo um mau caráter, mas um pouco, talvez dobrasse as regras conforme visse necessidade. Acho que foi o meu fim naquela década. Talvez.
Me lembro bem de um escritório que visitei em pensamento, era amplo, várias mesas espaçadas com tampo de laca verde claro, muitos papéis e vários cinzeiros. Deus, até sinto vontade de fumar e cumprimentar alguns amigos, Pedro, o sr. Freitas, o sr. Zeferino e fumar com eles enquanto tomamos café preto e conversamos sobre o trabalho. Pedro e sua esposa doente, Freitas e suas duas amantes com saídas semanais para ir ao cinema. O sr. Zeferino, velho demais para contar causos da esposa, mas muito rápido para jogar no bicho e fazer outras apostas. Jogava sinuca muito bem, eu lembro, quando penso nisso.
Estão todos mortos hoje, eram homens com cerca de quarenta ou cinquenta anos, não os vi mais aqui, a não ser quando penso nos anos 1970 em uma época que não vivi. Bons tempos. Não sei se concordo com essa afirmação o tempo todo. Eu era pobre, tenho certeza disso. Era inconstante, era solitário e vivia observando as pessoas que passavam na rua em frente a casa em que vivia em um bairro mais afastado. Tinha um murinho baixo de tijolos aparentes, dava para olhar as moças, os rapazes, de vez em quando a polícia passava. Ninguém ficava parado muito tempo em lugar nenhum. Ficava ali, observando, pensando, fumando.
Mais tarde, naqueles dias, saía de casa, um lar vazio, a esposa tinha ido embora com meu único filho já fazia algum tempo, no final dos anos 1960, e dessa época não sinto saudade alguma. Como dizia, saia de casa, pegava um ônibus, ia até uma casa noturna na zona norte, no Sarandi. Tinha uma mulher que eu visitava de vez em quando, quando tinha algum dinheiro já separado pra isso. Pra comprar o pão às vezes me faltava.
Ela se chamava Solange, era loura, tinha o cabelo crespo, muito ondulado, olhos castanhos claros e a boca com um batom vermelho forte. Nem sempre gostava de me ver, acho. Enjoara de mim, mas não eu dela. Nem pra cerveja eu tinha, então ia direto aos finalmentes. Depois, perguntava alguma coisa sobre ela, sobre a vida, se era casada, se tinha alguém. Ela punha o robe fino, escondia o corpo e sua intimidade. Apenas abria a porta e eu ia embora.

Ben Schaeffer é escritor, advogado e contador. Natural de Porto Alegre, reside em Alvorada, RS. Ávido leitor, lê vários gêneros, desde livros de ficção científica, de fantasia e de mistério até histórias em quadrinhos. É autor do livro Dan Plaggo Porto das Bruxas e da série Histórias do Reino de Puphantia (O Grande Assalto e Os Fantasmas de Puphantus).  

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Conto, do autor, 1970.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

- BAGUNÇA E ARRUMAÇÃO 
Nathiele Fagundes é contadora de histórias e autora dos livros infantis CADA PEDAÇO MEU e BAÚ DE HISTÓRIAS MANEIRAS. A escritora é historiadora, especialista em História e Cultura Afro-Brasileira e está cursando pedagogia. Mora em Alvorada, RS (nathicontandohistorias@gmail.com). 
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História infantil, BAGUNÇA E ARRUMAÇÃO, da escritora e ilustradora Marilia Pirillo. 
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SÉRIE NA PRANCHETA
Desenhando 
O escritor Adão de Lima Jr. é ilustrador, editor e quadrinista. (Mora em Alvorada, RS). 
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Postado, pelo artista, no dia 10 de novembro de 2025, em seu canal do YouTube.
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Após muitas doses de uísque o meu ânimo para a insana missão estava ótimo. Fui até a casinha de ferramentas e peguei a marreta. Era pesada, mas não de uma forma que atrapalhasse o seu manuseio. Coloquei-a no ombro, segurando seu cabo com as duas mãos, como um soldado segura um rifle durante a marcha no dia da pátria, saí pela porta da frente e dei uma boa olhada na figueira antes de ir. Disse pra mim mesmo que depois daquela noite nunca mais iria lembrar dela e da vila, que o passado iria ficar onde jamais deveria ter saído. Comecei a caminhada apenas aceitei pensamentos práticos a respeito, iria até o local, quebraria a pedra e o altar, voltaria pra casa como se nada tivesse acontecido, e depois iria embora com a sensação de dever cumprido. Eu não acreditava em nada de mundo dos sonhos, ou histórias de terror de ingênuas pessoas do interior, acreditava sim em traumas de infância e bloqueios mentais, em simbolismos que construídos na nossa infância perduram pela vida adulta nos influenciando sem percebermos. E eu desejava quebrá-los, estar livre dos meus traumas, do meu velho pai bêbado batendo na minha mãe, e das minhas fugas pra figueira, onde, pensava eu, estava longe dele e de todo o mal. Meu pai não tinha sido apenas uma pessoa gentil e serena, apenas eu não queria aceitar isso. Ao chegar no final da trilha o altar e a pedra estavam, como só poderia ser, exatamente como quando os deixei mais cedo. A floresta, que cada vez parecia menos opressora e mais afável, estava exalando um cheiro levemente pútrido, com certeza vinha do pântano. Depois de me aproximar fiquei ainda um tempo pensando sobre as minhas próximas ações e o contexto todo. Seria uma idiotice tudo aquilo?Concluí que poderia ser, mas o ato não teria impacto nenhum no mundo, além de efeitos psicológicos em mim. Respirei fundo, ergui a marreta o mais alto que pude, e, por fim, desferi o golpe que iria quebrar todo o mistério dos meus sonhos. Quando a pedra finalmente rachou eu senti toda a vibração do impacto em uma onda de choque se espalhou, e em um instante ínfimo eu pude ver. Era um mundo escuro e decadente, ele estava vagando pelo vácuo do nada há muito tempo. Logo após cair do céu, a sua condição agarrou-se às primeiras formas de vida que encontrou, aos seres unicelulares da água, aos pequenos animais e às plantas, às árvores e por fim toda aquela floresta, o pântano era onde pulsava-lhe a sua essência através do lodo negro, e a figueira até onde sua influencia atingia. Mas ele não podia sair de onde estava, porém, precisava alimentar-se, e a sua fome era grande. Eu vi animais e homens primitivos, velhos feiticeiros xamãs e padres, homens com roupas de outras épocas, e crianças sonhadoras. A pedra negra havia trazido das imensidões escuras do espaço uma maldição incompreensível e irresistível para os tristes de alma, e fracos de coração. 

CONTINUA...

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.

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Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
Clique aqui e leia as outras partes do conto.
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A DANÇA DAS PALAVRAS
Sou, confesso, uma criatura de dualidades. De pés firmes no chão, é onde a base se constrói, onde a segurança de um bom começo se instala. Sem essa fundação, não há passo adiante.
No entanto, enquanto as solas tateiam o terreno sólido, o pensamento, esse pássaro inquieto, voa em direções opostas, cartografando céus desconhecidos.
E os sonhos? Ah, os sonhos têm licença para flutuar, livres, sim, mas sempre pairando a uma distância razoável, ao alcance das mãos.
​Mas hoje, o foco não sou eu, com minhas bases e meus voos controlados. A intenção é lançar um olhar sobre a figura que encarna essa contradição: o indivíduo que pensa e escreve. E, com ele, o perigo que essa união representa para a sociedade.
​Escrever é, no fundo, uma profissão de risco. Não pelo cansaço dos dedos ou pelas noites em claro, mas pela própria matéria-prima: as palavras. Elas são, inerentemente, perigosas.
Não é mera coincidência que a primeira atitude de um déspota em sua ânsia de controle totalitário é a fogueira dos livros, seguida pelo silenciamento de quem os escreve.
​O alfabeto, esse modesto conjunto de símbolos, nos permite construir um universo de possibilidades. Através das palavras, podemos amar e odiar, podemos esquecer e reviver, podemos sonhar e destruir.
Tudo, de bom ou de nefasto, pode ser criado ao juntar letras.
​E note a ironia: as palavras que ferem, que destroem, parecem ter a mais fácil das rotas de fuga. Um simples "não gosto dessa pessoa" brota espontaneamente, sem esforço ou hesitação. Mas tente encontrar as palavras certas para um momento de afeto genuíno ou de consolo.
A boca se fecha, a mente fica em branco. As palavras nos escapam quando mais precisamos delas para curar. Elas se prestam à mentira e à dissimulação, mas exigem escolhas cuidadosas quando a intenção é ajudar, é solucionar.
​A beleza ou a feiura da palavra não reside nela mesma, mas no coração de quem a expressa. Quando um poeta as toca, elas se rendem, se dobram, e ganham uma vida nova, vibrante.
Quando a voz de quem amamos as profere, elas encontram um caminho único, especial, para tocar nossa alma.
​Nosso idioma oferece a paleta mais rica para pintar as frases mais lindas que se possa imaginar, e somos livres para fazer nossas escolhas.
​Porém, permitam-me um paradoxo, eu, a que vivo das letras: essa escritora que vos fala não consegue encontrar as palavras à altura para expressar a profunda gratidão por ter sido agraciada com esse dom – o de brincar com as palavras.
​E para encerrar, evoco uma das mais belas e complexas de todas: ADEUS.
​É uma palavra-sentimento usada para partidas – curtas ou longas. É um bálsamo de esperança ("A-Deus") e, simultaneamente, o ponto final de algo que já se foi e que deve repousar no passado.
Ou, ainda, a constatação melancólica de algo que jamais será.
​Resta-nos, então, dizer adeus, e entregar A-Deus aquilo que nos foi confiado para cuidar por um breve período, e que agora parte.
​Mas esta crônica, leitor, não é um adeus final. É apenas uma pausa, uma promessa de esperança.
É o voto de que na próxima terça-feira estarei de volta, mais uma vez disposta a pegar as letras do alfabeto e, como uma criança em seu jardim, brincar com elas, construindo as palavras que me permitem, simplesmente, viver minha vida de escritora.

Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
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Crônica, A DANÇA DAS PALAVRAS, postada, em 12 de dezembro de 2025, pela autora, em sua página no facebook. 
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

 

ANO NOVO, VIDA NOVA

Ano Novo Vida Nova” é um ditado popular em países de língua portuguesa. A expressão inglesa “New Year, New Life” espelha a universalidade desta mensagem de esperança e de um novo recomeço. O desejo de mudança, de novas oportunidades e de um futuro melhor é uma aspiração transversal a todos os povos e culturas.
A celebração do Ano Novo ocorre em várias datas pelo mundo. Este evento, no calendário gregoriano, adotado pela maioria dos países, comemora-se no primeiro dia de janeiro, em 39 momentos distintos devido aos fusos horários de cada país. Diversas culturas e religiões têm datas móveis para este festejo. O Ano Novo Chinês segue o calendário lunar; o Rosh Hashaná (Ano Novo Judaico) segue o calendário lunar judaico; o Nowruz (Ano Novo Persa) coincide com o equinócio da primavera no Hemisfério Norte.
Independentemente do calendário ou da cultura, o desejo de um ano mais próspero une os povos nesta celebração global. Mas será este o pedido mais premente a fazer quando as 12 badaladas da meia-noite soam?
Neste contexto de ambição e esperança, apraz-me citar uma antiga prece portuguesa:
E o que você quer que o Novo Ano lhe traga? Nada, não quero que me traga nada. A única coisa que quero é que não me leve. Que não leve o teto que me protege, o prato que me alimenta, a manta que me aquece, a luz que me alumia, o sorriso dos meus amados, a saúde como um tesouro, o trabalho como sustento, a amizade, a companhia, os abraços e os beijos. Que não leve os sonhos, nem os pedaços dos corações, formados por pessoas, que carrego dentro de mim.”
Após o rescaldo da invocação dos desejos, esta sapiente oração fez-me refletir. Pensar em tudo o que tenho. Ponderar o que ambiciono. Meditar sobre a situação do mundo. Valorizar quem sou. Ser grata por ser tão afortunada.
A ambição humana incita-nos a querer sempre mais e a desvalorizar o que temos. Num início de novo ciclo, em que a guerra e a fome são uma realidade em tantos cantos deste planeta, é premente considerar a importância da preservação do que temos e conquistámos. É importante manter as relações humanas, os sentimentos e os afetos. É fundamental ser grato.
O Ano Novo implica um compromisso pessoal de mudança, de reconhecimento e de engrandecimento. Esta postura não deve desincentivar a continuidade da caminhada em busca dos nossos sonhos.
Que o ano de 2026 seja como um horizonte dourado, onde cada amanhecer nos recorde a beleza de preservar o que amamos e a esperança de sonhar

Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 06 de janeiro de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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