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terça-feira, 28 de abril de 2026

 

POR QUE EU SOU IRRITANTE?

Ontem me perguntaram por que eu sou irritante. Além do senso de humor da pergunta, que também era uma afirmação, há coisas para dizer a respeito.
Levando em consideração a minha admiração por Sócrates, e outras figuras históricas que foram perseguidas, presas e mortas por defenderem ideias que feriam o status vigente, creio ser uma tendência minha procurar o atrito de verdades não ditas com hipocrisias e quívocos constituídos.
Uma pessoa não dada ao ato da reflexão e do estudo epistemológico aceita e reproduz comportamentos que trazem cargas de injustiça e erros provenientes do passado. Pois foi nesse passado que certas hegemonias de poder afirmaram esses valores.
Estes valores sendo decrépitos e deturpados, muitas vezes se passam pelo único status aceitável, como uma realidade intrínseca, cristalizada e perene.
Desta forma as sociedades que não cultivam valores filosóficos só podem seguir na direção da injustiça social, do totalitarismo e do fanatismo religioso e político.
Talvez eu seja irritante porque gosto de provocar e evidenciar contradições que ofuscam o brilho dos gestores desses valores decrépitos. Mas não é verdade que eu seja totalmente irritante, há quem até goste de beber cerveja comigo e sorrir.

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no YouTube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Crônica, postada, em 01 de abril de 2026, pelo autor, em sua página no Facebook
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quinta-feira, 19 de março de 2026

 

NOS LIMITES DA LOUCURA

Uma vez eu vi, e ouvi, um pensador e professor de universidade dizer que é natural a filosofia ser incompressível no primeiro momento, pois a filosofia trabalha nos limites da linguagem.
Isso significa, penso eu, que alguém foi tão longe na arte de escrever e conceber ideias que atingiu um patamar difícil de compreender devido ao aprofundamento, minúcia e especialização.
Pois eu digo: os poetas e os escritores, pelo menos alguns dos mais célebres que eu admiro, experimentaram estar nos limites da inteligência e da loucura.
Mas o que isso significa? Talvez que a busca de uma extrema sensibilidade vá mais longe do que possamos imaginar.
Uma vez estive com meu amigo poeta e ele me ofereceu alguns cogumelos. Estava na hora do entardecer, e após nós termos comido um pouco e conversado sobre os escritores que gostamos, e ele fazer uma apresentação sobre os benefícios transcendentais do cogumelo, com uma bela história, eu percebi que a luz do sol estava com tons de cores que eu nunca tinha percebido. Bem, eu sei que nós percebemos 7 cores do espectro, mas a combinação era tão incrível que parecia que estava ali e eu nunca pude perceber.
Ao anoitecer olhei para o céu e pude ver nitidamente um feixe de luz gigante que atravessava o céu. Fiquei pensando sobre o destino daquela luz, pra onde ela levava? Ao prestar bem atenção, eu vi muitas outras luzes como correntes de energia fazendo a teia subliminar do universo. Tudo tinha ligação?
Quando estava novamente na sala de estar, meu amigo com as pernas cruzadas sorriu e me disse que essas experiências são revelações místicas, nunca acontecem sem um significado.
Eu acho que os Xamãs e os feiticeiros da antiguidade experimentavam estados alterados da consciência que lhes permitia uma conexão com reinos estranhos às nossas percepções do mundo material. Eu lembro de ter desenvolvido fascínio sobre isso quando eu li os livros do escritor Carlos Castaneda e as suas histórias com um velho índio xamã no deserto do México.
Antes dos cogumelos eu fiz o ritual da ayuasca. A minha namorada preparou tudo, e após uma oração que nós mesmos escrevemos eu consumi a bebida feita no Acre com um cipó e uma planta.
Estava ouvindo mantras indianos então eu vi uma jiboia que vinha na minha direção, depois ela se tornou toda a textura na minha frente. Mais tarde estava deitado e tive a nítida impressão que eu estava morto e a grama e as flores nasciam do meu corpo junto da terra. E por último eu vi a matéria se formando a partir do som que Shiva produzia no mantra. Quando tudo terminou eu comi um pouco de lentilhas e achei estranha ausência da vontade de beber e fumar.
Esse deslumbre do meu subconsciente e do que eu poderia pensar ser uma revelação espiritual, também faz parte da exploração dos limites do pensamento e da percepção da realidade. Às vezes, eu pensei hoje, voltamos de lá com inspirações divinas, e às vezes com questões existências para resolver. E isso pode parecer loucura.

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no YouTube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Conto postado, em 08 de fevereiro de 2025, pelo autor, em sua página no Facebook
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

 

Quando despertei estava nu, envolto pelo lodo. Uns jovens que estavam na floresta ouviram meus gritos e vieram em meu socorro. Então realmente havia jovens que foram fazer sexo e usar drogas, certamente foram eles que eu vi na primeira vez. Meu estado mental não estava nada bom, nem conseguia falar ou esboçar reações, os médicos chamaram de estresse pós traumático devido à morte da minha mãe e o reencontro com certos lugares que acionaram gatilhos. Então eu era isso: uma arma com um gatilho pronto para disparar. Mas e a árvore e a floresta? E a pedra negra? Se a minha loucura veio de traumas eu não tenho certeza, mas atualmente eu não tenho certeza de mais nada. Quando lerem estes registros, espero já ter pulado da janela, 5 andares já devem dar conta. Que horrores o universo em suas vastidões pode esconder e revelar! E que profundidades sombrias e longínquas podemos mergulhar no mar do subconsciente! Agarramo-nos às certezas da nossa vida adulta e a lógica cartesiana do mundo é um conforto, porém quando caímos na nossa escuridão interior, e verdades além da nossa compreensão são reveladas em uma breve imagem do caos, nenhuma certeza moderna pode nos salvar. E no final das contas, um sonhador como eu era, é o alimento mais saboroso para a entropia macabra que espreitava e sussurrava  meu nome na floresta e nos meus pesadelos. 

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 

Após muitas doses de uísque o meu ânimo para a insana missão estava ótimo. Fui até a casinha de ferramentas e peguei a marreta. Era pesada, mas não de uma forma que atrapalhasse o seu manuseio. Coloquei-a no ombro, segurando seu cabo com as duas mãos, como um soldado segura um rifle durante a marcha no dia da pátria, saí pela porta da frente e dei uma boa olhada na figueira antes de ir. Disse pra mim mesmo que depois daquela noite nunca mais iria lembrar dela e da vila, que o passado iria ficar onde jamais deveria ter saído. Comecei a caminhada apenas aceitei pensamentos práticos a respeito, iria até o local, quebraria a pedra e o altar, voltaria pra casa como se nada tivesse acontecido, e depois iria embora com a sensação de dever cumprido. Eu não acreditava em nada de mundo dos sonhos, ou histórias de terror de ingênuas pessoas do interior, acreditava sim em traumas de infância e bloqueios mentais, em simbolismos que construídos na nossa infância perduram pela vida adulta nos influenciando sem percebermos. E eu desejava quebrá-los, estar livre dos meus traumas, do meu velho pai bêbado batendo na minha mãe, e das minhas fugas pra figueira, onde, pensava eu, estava longe dele e de todo o mal. Meu pai não tinha sido apenas uma pessoa gentil e serena, apenas eu não queria aceitar isso. Ao chegar no final da trilha o altar e a pedra estavam, como só poderia ser, exatamente como quando os deixei mais cedo. A floresta, que cada vez parecia menos opressora e mais afável, estava exalando um cheiro levemente pútrido, com certeza vinha do pântano. Depois de me aproximar fiquei ainda um tempo pensando sobre as minhas próximas ações e o contexto todo. Seria uma idiotice tudo aquilo?Concluí que poderia ser, mas o ato não teria impacto nenhum no mundo, além de efeitos psicológicos em mim. Respirei fundo, ergui a marreta o mais alto que pude, e, por fim, desferi o golpe que iria quebrar todo o mistério dos meus sonhos. Quando a pedra finalmente rachou eu senti toda a vibração do impacto em uma onda de choque se espalhou, e em um instante ínfimo eu pude ver. Era um mundo escuro e decadente, ele estava vagando pelo vácuo do nada há muito tempo. Logo após cair do céu, a sua condição agarrou-se às primeiras formas de vida que encontrou, aos seres unicelulares da água, aos pequenos animais e às plantas, às árvores e por fim toda aquela floresta, o pântano era onde pulsava-lhe a sua essência através do lodo negro, e a figueira até onde sua influencia atingia. Mas ele não podia sair de onde estava, porém, precisava alimentar-se, e a sua fome era grande. Eu vi animais e homens primitivos, velhos feiticeiros xamãs e padres, homens com roupas de outras épocas, e crianças sonhadoras. A pedra negra havia trazido das imensidões escuras do espaço uma maldição incompreensível e irresistível para os tristes de alma, e fracos de coração. 

CONTINUA...

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.

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Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

 

Após o jantar, que se constituiu em um prato de arroz com carne de panela e batatas, eu voltei pra antiga casa e me sentei no sofá da sala para digerir e pensar mais em tudo. A nossa mente pode criar nexos que na verdade são resultados da cultura que herdamos. O velho Rosenberg acreditava que a floresta era um ser com vida e consciência porque era um homem simples do campo. Talvez tenha ouvido essa história dos seus pais, que por sua vez também ouviram das gerações anteriores. O que era verdade estava na pedra e no altar, e nos estranhos bonecos de pano. Qual a ligação que teriam? Decidi ignorar toda percepção mística e folclórica para uma especulação puramente cientifica. O culto à entidade do meteoro poderia ser real, e as percepções sobre a floresta seriam, então, o resultado psicológico das histórias que foram contadas ao longo dos anos. Estava olhando para uma antiga e empoeirada foto de família na parede, meu pai usava um bigode cômico para os nossos dias, e a minha mãe estava com uma seriedade demasiada na face, logo, sem perceber, caí nas brumas do sono. 
Eu era criança novamente, estava indo com meu amigo boneco de pano para a floresta. Novamente os galhos das árvores se agitavam com o vento noturno, e na escuridão que reinava ao longo da trilha eu podia perceber sombras se movimentando sorrateiramente, acompanhando-me na trilha escura, espreitando meus passos. Com muito medo apertei o boneco no meu peito, e seguindo em frente eu sabia que chegaria no altar com a pedra negra do espaço. Quanto mais adentrava naquele pesadelo, mais percebia que o horror se revelava para mim, no entanto, sentia uma atração mórbida pela situação. Eu podia ouvir vozes como se fossem lamentos soprados pelo vento, e por um instante tive a impressão de ver faces humanas disformes emergindo das sombras da floresta, contorcendo-se e agonizando umas por cimas das outras. Finalmente ao chegar onde deveria estar a pedra e o altar, enxerguei a silhueta escura de alguém em pé, parecia estar me esperando. Para o meu terror, percebi que era a minha mãe. Estava mais jovem e usava o vestido branco de anos atrás, o seu corpo estava tomado pelo lodo negro do pântano. Não pude conter as lágrimas.
— Mamãe...
— Meu filho, ele veio do céu. E ele tem presentes, ele só precisa que você aceite de coração.
— Eu estou com medo, mamãe.
— Venha meu filho, dê um abraço na sua mãe, venha, ele é bom, ele vai mostrar tudo pra você, meu amor! 
Ela estava também segurando a tigela do altar, oferecendo-a para mim. Dentro estava o lodo negro e viscoso do pântano, eu já não conseguia enxergar mais o corpo da minha mãe como antes, os seus membros inferiores estavam se fixando no chão como as raízes da figueira, uma baba espumosa lhe escorria no canto direito da boca, o olhar não tinha brilho, os olhos pareciam dois buracos negros sem fim sugando tudo que enxergavam com fome e voracidade. Eu desejei acordar. Ao despertar, antes do abraço da morte, o silêncio absoluto contrastava com o meu espírito. Dentro de mim a situação toda, que parecia loucura, precipitava-se e tornava-se questão de honra: eu precisava provar para mim mesmo que nada estava acontecendo. Preparei uma dose do uísque que trouxe para alguma eventualidade. Com o copo na mão olhando para a figueira tomei uma decisão: eu iria pegar a marreta do meu pai e fazer como ele, entretanto, quebraria a pedra negra. 

CONTINUA...

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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

 

— O quê? Desculpe-me senhor Rosenberg, mas o que quer dizer? 
Talvez o velho Rosenberg tenha me visto na minha pequena exploração, talvez soubesse de alguma coisa. Ele continuou:
— A floresta fala com as pessoas, faz promessas, ilude e manipula. Se você dá ouvidos à ela, acaba primeiro enfraquecendo, depois enlouquece e morre, ela tira tudo de você e nunca cumpre o que prometeu. Não volte lá, é um lugar ruim. A floresta chama as pessoas pra se alimentar delas. É assim desde antes da vila existir. 
O absurdo que eu estava ouvindo era a típica coisa que diria alguém que acreditava em mula sem cabeça e boitatá, e eu achei falta de sensibilidade ele não me dar os pêsames pelo falecimento da minha mãe. A vida fechada em uma realidade tão limitada fazia a superstição voar na imaginação, entretanto, eu não queria simplesmente desfazer da conversa, seria desrespeitoso, o senhor Rosenberg devia estar afetado pela idade. Fingi que me interessava, ele continuou:
— Já viu os bonecos? Sim, aqueles malditos bonecos vodus são feitos pra oferecer pra floresta alguém em sacrifício, é como um ritual. A ligação é feita em troca das promessas que a floresta faz. Quer viver pra sempre? Ver alguém que morreu? Quer se curar de uma doença ou curar alguém? Ela sussurra no ouvido, aparece em sonho, e muitas pessoas da vila secretamente já atenderam o seu chamado, foram elas que fizeram os bonecos. 
Por mais fantasioso que fosse aquele relato eu não gostei de o ter ouvido. Porque no fundo do meu coração, desde criança, eu também sentia que a floresta me chamava. Pensei em perguntar se ele conhecia a pedra negra e o altar, se sabia que um meteoro havia caído há muito tempo atrás, mas como ele iria entender isso? Meteoros do espaço e sincretismo religioso seriam de mais para o meu velho e pacato amigo da vila. Calei-me. Assenti com a cabeça com um olhar condescendente e amigável. Fui embora sem me despedir e nem olhar para trás, tinha que sair daquele lugar o mais rápido possível. 

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Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.

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