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domingo, 25 de agosto de 2024

 

JORNADA CULTURAL #04 EVERTON SANTOS
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Neste podcast, do dia 17 de julho, o artista e escritor Everton Santos, autor de O Sol dos Malditos, foi entrevistado pelo músico Maninho Melo (programa JORNADA CULTURAL, portal Alvoradense).

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

ANIVERSÁRIO GÓTICO

desde sempre um poema sinistro de Edgar Alan Poe sendo recitado dentro da minha cabeça, arrepiando-me os cabelos nas madrugadas, quando os gatos murmuram pra lua em cima dos telhados das casas.
Eu nasci no dia das bruxas. Nessa ocasião os corvos do milharal levantaram voou, e o cemitério da colina soprou mais que nunca os ventos uivantes que vem do norte.
A escuridão da meia noite é a minha casa, onde há histórias de terror narradas por uma voz suave que conta sobre as terras oníricas do reino de Kadah e sobre as ruínas da Cidade sem Nome.
No dia em que eu nasci todas as flores morreram, e uma poesia de Augusto dos Anjos esteve nos lábios tristes de alguém que já partiu.
Então eu surgi para contemplar os terrores abissais, na loucura de um pássaro negro que pousou na minha casa e me disse: nunca mais!
E como eu poderia resistir a horrores tais? Eu, um simples homem curvado andando na linha do horizonte deixando tudo para trás!
Desde o dia que eu nasci eu não tive paz, pois existe um hóspede indesejável e perspicaz, que insiste em me dizer do alto da minha casa: os dias que viveste, nunca mais.


Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Crônica postada, em 26 de outubro de 2022, pelo autor, em sua página no facebook. 

terça-feira, 8 de abril de 2025


 ALVORADA: NOSSA TRADIÇÃO LITERÁRIA

Olá, amigos!
Alvorada é terra de escritores! Poetas, prosadores, ensaístas, compositores, cartunistas. Alguns ainda anônimos, outros já reconhecidos. Nomeio alguns, muitos ficarão de fora. Que os comentários ajudem a recolocar as coisas em ordem e sejam todos lembrados.
José Portela Delavi e Gildo de Freitas foram grandes compositores e trovadores que chegaram aqui ainda no tempo do Passo do Feijó, no auge de sua produção artística. Artur Madruga, escritor, professor e artista plástico, lançou em 2022 seu último título no Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde. Sérgio Vieira Brandão, com dezenas de obras publicadas, alcança todos os públicos. De sua oficina para escritores surgiu o Clube dos Escritores de Alvorada, há 25 anos em atividade. Do Clube, destaco Ricardo Pôrto e Anderson Vicente, com suas narrativas misteriosas em cenários alvoradenses. A ficção/aventura/terror/fantástico, aliás, move muitos jovens autores independentes, como Sérgio Pires, Davenir Viganon, Eduardo Alós e Diego Borella.
Na literatura em quadrinhos, o Coletivo Alvoradense de Quadrinhos tem publicado obras regularmente. Denilson Reis, do CAQ, mantém ativo o fanzine Tchê há mais de 35 anos. Já o Pablito Aguiar é um sucesso nacional com suas entrevistas transformadas em HQs.
Um grupo de contistas e poetas negros têm organizado coletâneas que trazem com muita contundência os temas da identidade e do cotidiano. Entre eles, a Karin Santiago, Cristina Ribeiro, Daniel Machado e Rodrigo Machado. Ainda com foco na identidade afro-alvoradense, a pesquisadora Tainã Rosa vem produzindo material visual e textual de alto valor cultural e pedagógico.
A educadora Simone Soares, o filósofo e músico Everton Santos, e o militar da reserva Damião Oliveira imprimem em suas obras muito de suas experiências pessoais. A questão da mulher, a filosofia e o humanismo estão ali presentes.
Encerro com o poeta José Cezar Matesich Pinto, que nos deixou importante obra poética, sobretudo na música nativista.
Alguns destes autores, entre outros, estarão na II Feira Literária Independente de Alvorada, nos dias 12 e 13 de abril. Aparece!
Abraços!

O escritor Fabiano Soria Vaz mora em Alvorada, RS, é professor e pesquisador. Escreveu artigos para o livro RAÍZES DE ALVORADA e o site A Trincheira: a História em debate em Alvorada. Autor de O PIONEIRO DO PASSO DO FEIJÓ, conto da coletânea CONTOS DE ALVORADA, do Clube dos Escritores de Alvorada (dizedoria@gmail.com).
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Crônica, do dia 07 de abril, postada pelo autor na página do Portal Alvoradense, no facebook.
*CLIQUE NAS PALAVRAS COLORIDAS (BIOGRAFIA E NOTA DE RODAPÉ).

sexta-feira, 13 de junho de 2025

 

VELHA SENHORA QUE 
ALIMENTA OS ANIMAIS

Estive na praça da 48 pra tomar cerveja com meu amigo Xará essa semana. E logo veio nosso outro amigo, o Pirata. Um cãozinho de rua que é caolho, ele estava bem gordinho e com a pelugem preta brilhando. O motivo: come há anos moela com ração, gentileza de uma velha senhora que vem todos os dias na praça da 48 alimentar os animais de rua.
Contaram-me que ela teria vindo da Alemanha, há muito tempo. Ficamos observando ela servir a ração, pensei até em falar com ela, mas não tive coragem. Por que será que a bondade é tão natural pra algumas pessoas?
O poeta Libanês Kail Gibran disse uma vez que a natureza do ser humano é boa quando ele doa porque é uma condição da natureza, como uma árvore dar frutos. Reter é perecer.
quem seja bom porque quer reconhecimento, e há quem seja bom porque estudou o que é certo. E há quem doa de si sem pensar em nada, porque lhe é natural, esses estão no coração de Deus.


Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Crônica postada, em 11 de junho de 2025, pelo autor, em sua página no facebook. 
*CLIQUE NAS PALAVRAS COLORIDAS (BIOGRAFIA E NOTA DE RODAPÉ).

sábado, 21 de setembro de 2024

  

Eu não gosto quando alguém diz isso. Sobre afirmar o que é verdade ou verdadeiro, é fácil de mais dizer. Quem vai assumir que defende a mentira? E quem vai provar o que é verdade? É óbvio que qualquer um sempre vai dizer que fala e defende a verdade.
Os homens de verdade, os de verdade, os verdadeiros. Ainda alguém pode falar: eu sou verdadeiro e isso é o que importa pra mim. Mas quem foi que disse que essa máscara que você usa não dá pra ver de dia ou de noite?
Verdade é uma questão filosófica difícil.
Para Sócrates a busca da verdade era feita por critérios lógicos que buscavam parâmetros universais. Se algo é verdade não deve ser relativo. Assim os seus principais inimigos eram os sofistas, mestres na arte da retórica, os quais não se preocupavam com buscar a verdade. Eles tinham o objetivo de convencer as pessoas com qualquer argumento que demandasse objetivos. Sendo assim, verdade era um ponto de vista.
Entretanto para Nietzsche, que odiava Sócrates e admirava os sofistas, a verdade e o seu conceito eram mais uma das correntes que o Homem moderno carregava. Dizia ele que foram mortas mais pessoas em nome de verdades absolutas do que pelas perguntas e dúvidas.
Eu não acredito em discursos que defendem a verdade. Eu aprecio os desenvolvimentos que demostram o que é real.
Se um dia a verdade absoluta gerou estagnação e fanatismo, e depois o relativismo gerou insegurança, hipocrisia e depressão, hoje talvez seja a hora de uma discussão sobre as dimensões da realidade em evolução dialética com as verdades que nós herdamos.
O homem e a mulher que pensam têm a capacidade de refletir fora de padrões mentais que desenham o mundo antes da nossa ação ou ideia. Observando as contradições em cima dessas verdades, nasce a flor infame e tardia da antítese, a negação do que sempre acreditamos.
Infelizmente essa reflexão tem um caráter filosófico que não é do costume do senso comum se propor a chegar. E ao contrário da auto ajuda, nem sempre gera felicidade: derrubar mitos e crenças pode ser desalentador.
Defender a verdade, então, não é uma questão de honra se nós não provamos que essa verdade é de fato uma realidade, e não uma construção emocional e egocêntrica nossa. Talvez seja difícil, mas quem vai duvidar que é libertador?


Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock  Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Crônica postada, em 05 de janeiro de 2023, pelo autor, em sua página no facebook. 

sábado, 17 de maio de 2025

 

O lugar, no geral, era tão pacato e sereno como poderia ser um vilarejo do interior, quase lembrava uma vila camponesa. No final da tarde, na temporada de verão, os moradores sentavam na frente das casas para conversar e se refrescar um pouco depois do dia de trabalho. E as crianças corriam pelas ruas fazendo brincadeiras até a chegada das primeiras estrelas no céu. Menos eu, é claro. Desde muito cedo tive inclinações estranhas por passar horas sozinho, fazendo minhas próprias brincadeiras, inventando personagens e amigos imaginários. Adorava desenhar seres mágicos e aventuras de heróis, e também tinha uma atração por fazer brincadeiras perto da figueira ao lado de casa. Aquela árvore era o lugar que eu mais gostava, passava a manhã e a tarde por lá fazendo todo tipo de brincadeiras, e às vezes até infantilmente falava com a árvore. Mas à noite era diferente. A figueira se transformava em uma criatura da escuridão, um ser imenso com galhos se retorcendo querendo agarrar o céu e a mim. Imaginava da janela do meu quarto, o tronco velho e retorcido se movendo sutilmente, e na brisa fria da noite pelos galhos e o farfalhar das folhas, eu sentia de alguma forma que a antiga figueira me chamava suavemente em um sussurro, e eu pedia a Deus para não sonhar com ela. 

(Parte III)

Em uma tarde quente de verão, quando estava brincando na figueira encontrei um boneco. Pelas roupas que usava, representava um garoto. Era tosco, feito de pano e costurado de forma desleixada. Estava preenchido com palha, e um pouco de lodo negro estava em cima da parte das pernas. Limpei com algumas folhas e rapidamente fiz o boneco de mais um dos meus personagens. Nessa ocasião estava me divertindo tanto que cheguei a cansar, acabei me encostando na figueira e sem perceber adormeci. No meu sonho o dia estava com o sol se pondo, e a figueira movia os seus galhos como se estivesse buscando sair de onde estava, eu estremeci de medo. Ela me chamava pro interior da floresta juntamente com meu novo amigo boneco de pano. Além do campo aberto havia um caminho na mata que levava para uma trilha que se perdia dentro de onde a luz do sol não chegava, e o escuro abraçava os seres da floresta dentro das suas entranhas. O que haveria mais além? Um pântano? Um cemitério ou um covil de lobisomens? Quem sabe uma casa antiga onde uma velha bruxa preparava um feitiço lendo o seu grimório gasto pelo tempo? Desejei acordar. Quando despertei já era tarde, minha mãe me chamava para o banho antes do jantar. Levantei e fiquei com vontade de voltar no outro dia. Nunca mais eu sonhei com a figueira desde então. Conforme os anos foram passando e eu fui crescendo, abandonei as brincadeiras e a árvore ficou para trás. Ao terminar os estudos, fui morar na cidade dividindo aluguel com um amigo. Comecei uma vida nova longe da vila, da minha mãe, da antiga figueira e da floresta que me chamava. 

CONTINUA...

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.

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Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
*CLIQUE NAS PALAVRAS COLORIDAS (BIOGRAFIA E NOTA DE RODAPÉ).
Clique aqui e leia as outras partes do conto.

sábado, 5 de abril de 2025

 

Meu nome é Alan Scherer, mas isso não importa mais. Decidi escrever em um caderno de notas, como se fazia antigamente, os fatos  que me levaram até essa condição degradante em um hospital psiquiátrico, um nome melhor para o que chamávamos antes de hospício. Demorou pra eles me darem caneta e papel, escrever sempre foi um dos meus passa tempos preferidos, um dia cheguei a sonhar em escrever um livro, contudo faltava-me  criatividade e sentimento. Não basta saber as melhores palavras, é necessário inspiração para atingir as emoções mais latentes, e a minha preferida sempre foi o medo. É estranho para mim pensar que, então, este texto chegará perto disso através de experiências que eu jamais desejaria de ter vivido, e até hoje me pergunto se foram reais ou produto da minha mente fantasiosa e fraca. Estarei verdadeiramente louco? Os horrores do desconhecido, incompreensíveis para minha mente simplória, penso eu, só poderiam realmente terem me levado à loucura e à insanidade. Será com o que tenho ainda de lucidez, que escreverei essas próximas linhas que tratam de memórias e sonhos, sim, sonhos. Pois desde cedo eu desenvolvi um dom peculiar, era uma capacidade que na prática não servia para nada, mas para mim trouxe maravilhas que aqui não terei tempo para contar. Eu conseguia muitas vezes estar consciente durante os sonhos. 

(Parte II)

Tudo começou com a morte do meu velho pai quando eu ainda era criança. Fiquei muito triste, como não poderia deixar de ser, mas minha querida mãe na época entrou em depressão profunda, apesar de não aceitar. Meu pai era um homem tranquilo e gentil, lembro dele com a sua marreta quebrando algumas pedras que atrapalhavam o seu belo jardim e plantação de alfaces nos fundos da nossa casa. Ele trabalhava na lavoura em terras arrendadas, era forte e eu o admirava, quando ficou doente nada restou do homem que um dia fez um jardim e quebrava pedras. Minha mãe, após o sepultamento, começou a apresentar comportamento errático e falho, taciturno e, por fim, totalmente apático. Sentava-se na sua cadeira na varanda, ao lado da cadeira vazia do meu pai, e ficava horas olhando para uma grande figueira ao lado da casa, e às vezes para a floresta que ficava mais além de um campo no final da nossa rua. Depois de algum tempo ela simplesmente começou a dizer que as coisas iriam melhorar. O local onde morávamos era uma vila agrícola que abastecia as cidades vizinhas, chama-se Vila do Sacramento, mas todos apenas chamavam simplesmente de vila, como se o lugar por não ser grande o suficiente não merecesse um nome. Havia poucas famílias, diziam que eram os descendentes dos moradores que vieram ocupar o lugar no início do século passado. Certamente os meus familiares de gerações passadas estiveram por ali, derrubando árvores, cortando mato e fazendo suas moradias. A nossa casa tinha pertencido ao meu avô, o pai da minha mãe, era de madeira gasta pelo tempo, e a pintura branca estava sempre descascando, ficava no final da rua onde estava a maldita figueira. 

CONTINUA...

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.

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Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 

Após muitas doses de uísque o meu ânimo para a insana missão estava ótimo. Fui até a casinha de ferramentas e peguei a marreta. Era pesada, mas não de uma forma que atrapalhasse o seu manuseio. Coloquei-a no ombro, segurando seu cabo com as duas mãos, como um soldado segura um rifle durante a marcha no dia da pátria, saí pela porta da frente e dei uma boa olhada na figueira antes de ir. Disse pra mim mesmo que depois daquela noite nunca mais iria lembrar dela e da vila, que o passado iria ficar onde jamais deveria ter saído. Comecei a caminhada apenas aceitei pensamentos práticos a respeito, iria até o local, quebraria a pedra e o altar, voltaria pra casa como se nada tivesse acontecido, e depois iria embora com a sensação de dever cumprido. Eu não acreditava em nada de mundo dos sonhos, ou histórias de terror de ingênuas pessoas do interior, acreditava sim em traumas de infância e bloqueios mentais, em simbolismos que construídos na nossa infância perduram pela vida adulta nos influenciando sem percebermos. E eu desejava quebrá-los, estar livre dos meus traumas, do meu velho pai bêbado batendo na minha mãe, e das minhas fugas pra figueira, onde, pensava eu, estava longe dele e de todo o mal. Meu pai não tinha sido apenas uma pessoa gentil e serena, apenas eu não queria aceitar isso. Ao chegar no final da trilha o altar e a pedra estavam, como só poderia ser, exatamente como quando os deixei mais cedo. A floresta, que cada vez parecia menos opressora e mais afável, estava exalando um cheiro levemente pútrido, com certeza vinha do pântano. Depois de me aproximar fiquei ainda um tempo pensando sobre as minhas próximas ações e o contexto todo. Seria uma idiotice tudo aquilo?Concluí que poderia ser, mas o ato não teria impacto nenhum no mundo, além de efeitos psicológicos em mim. Respirei fundo, ergui a marreta o mais alto que pude, e, por fim, desferi o golpe que iria quebrar todo o mistério dos meus sonhos. Quando a pedra finalmente rachou eu senti toda a vibração do impacto em uma onda de choque se espalhou, e em um instante ínfimo eu pude ver. Era um mundo escuro e decadente, ele estava vagando pelo vácuo do nada há muito tempo. Logo após cair do céu, a sua condição agarrou-se às primeiras formas de vida que encontrou, aos seres unicelulares da água, aos pequenos animais e às plantas, às árvores e por fim toda aquela floresta, o pântano era onde pulsava-lhe a sua essência através do lodo negro, e a figueira até onde sua influencia atingia. Mas ele não podia sair de onde estava, porém, precisava alimentar-se, e a sua fome era grande. Eu vi animais e homens primitivos, velhos feiticeiros xamãs e padres, homens com roupas de outras épocas, e crianças sonhadoras. A pedra negra havia trazido das imensidões escuras do espaço uma maldição incompreensível e irresistível para os tristes de alma, e fracos de coração. 

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Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no youtube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.

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Conto postado, em 25 de março de 2025, pelo autor, em seu blogue Contos do Horror Cósmico. 
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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

 

— O quê? Desculpe-me senhor Rosenberg, mas o que quer dizer? 
Talvez o velho Rosenberg tenha me visto na minha pequena exploração, talvez soubesse de alguma coisa. Ele continuou:
— A floresta fala com as pessoas, faz promessas, ilude e manipula. Se você dá ouvidos à ela, acaba primeiro enfraquecendo, depois enlouquece e morre, ela tira tudo de você e nunca cumpre o que prometeu. Não volte lá, é um lugar ruim. A floresta chama as pessoas pra se alimentar delas. É assim desde antes da vila existir. 
O absurdo que eu estava ouvindo era a típica coisa que diria alguém que acreditava em mula sem cabeça e boitatá, e eu achei falta de sensibilidade ele não me dar os pêsames pelo falecimento da minha mãe. A vida fechada em uma realidade tão limitada fazia a superstição voar na imaginação, entretanto, eu não queria simplesmente desfazer da conversa, seria desrespeitoso, o senhor Rosenberg devia estar afetado pela idade. Fingi que me interessava, ele continuou:
— Já viu os bonecos? Sim, aqueles malditos bonecos vodus são feitos pra oferecer pra floresta alguém em sacrifício, é como um ritual. A ligação é feita em troca das promessas que a floresta faz. Quer viver pra sempre? Ver alguém que morreu? Quer se curar de uma doença ou curar alguém? Ela sussurra no ouvido, aparece em sonho, e muitas pessoas da vila secretamente já atenderam o seu chamado, foram elas que fizeram os bonecos. 
Por mais fantasioso que fosse aquele relato eu não gostei de o ter ouvido. Porque no fundo do meu coração, desde criança, eu também sentia que a floresta me chamava. Pensei em perguntar se ele conhecia a pedra negra e o altar, se sabia que um meteoro havia caído há muito tempo atrás, mas como ele iria entender isso? Meteoros do espaço e sincretismo religioso seriam de mais para o meu velho e pacato amigo da vila. Calei-me. Assenti com a cabeça com um olhar condescendente e amigável. Fui embora sem me despedir e nem olhar para trás, tinha que sair daquele lugar o mais rápido possível. 

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