Uma vez eu vi, e ouvi, um pensador e professor de universidade dizer que é natural a filosofia ser incompressível no primeiro momento, pois a filosofia trabalha nos limites da linguagem.
Isso significa, penso eu, que alguém foi tão longe na arte de escrever e conceber ideias que atingiu um patamar difícil de compreender devido ao aprofundamento, minúcia e especialização.
Pois eu digo: os poetas e os escritores, pelo menos alguns dos mais célebres que eu admiro, experimentaram estar nos limites da inteligência e da loucura.
Mas o que isso significa? Talvez que a busca de uma extrema sensibilidade vá mais longe do que possamos imaginar.
Uma vez estive com meu amigo poeta e ele me ofereceu alguns cogumelos. Estava na hora do entardecer, e após nós termos comido um pouco e conversado sobre os escritores que gostamos, e ele fazer uma apresentação sobre os benefícios transcendentais do cogumelo, com uma bela história, eu percebi que a luz do sol estava com tons de cores que eu nunca tinha percebido. Bem, eu sei que nós percebemos 7 cores do espectro, mas a combinação era tão incrível que parecia que estava ali e eu nunca pude perceber.
Ao anoitecer olhei para o céu e pude ver nitidamente um feixe de luz gigante que atravessava o céu. Fiquei pensando sobre o destino daquela luz, pra onde ela levava? Ao prestar bem atenção, eu vi muitas outras luzes como correntes de energia fazendo a teia subliminar do universo. Tudo tinha ligação?
Quando estava novamente na sala de estar, meu amigo com as pernas cruzadas sorriu e me disse que essas experiências são revelações místicas, nunca acontecem sem um significado.
Eu acho que os Xamãs e os feiticeiros da antiguidade experimentavam estados alterados da consciência que lhes permitia uma conexão com reinos estranhos às nossas percepções do mundo material. Eu lembro de ter desenvolvido fascínio sobre isso quando eu li os livros do escritor Carlos Castaneda e as suas histórias com um velho índio xamã no deserto do México.
Antes dos cogumelos eu fiz o ritual da ayuasca. A minha namorada preparou tudo, e após uma oração que nós mesmos escrevemos eu consumi a bebida feita no Acre com um cipó e uma planta.
Estava ouvindo mantras indianos então eu vi uma jiboia que vinha na minha direção, depois ela se tornou toda a textura na minha frente. Mais tarde estava deitado e tive a nítida impressão que eu estava morto e a grama e as flores nasciam do meu corpo junto da terra. E por último eu vi a matéria se formando a partir do som que Shiva produzia no mantra. Quando tudo terminou eu comi um pouco de lentilhas e achei estranha ausência da vontade de beber e fumar.
Esse deslumbre do meu subconsciente e do que eu poderia pensar ser uma revelação espiritual, também faz parte da exploração dos limites do pensamento e da percepção da realidade. Às vezes, eu pensei hoje, voltamos de lá com inspirações divinas, e às vezes com questões existências para resolver. E isso pode parecer loucura.
_________________________Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Rua, músico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no YouTube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
Conto postado, em 08 de fevereiro de 2025, pelo autor, em sua página no Facebook.