A língua portuguesa não é um património, mas uma casa. É aquela que senti antes de entender e saber expressar. Os primeiros sons que ouvi, ainda no lago de águas mornas maternas. As primeiras palavras carinhosas dos progenitores.
É por isso que uma língua vivida assim — antes de ser compreendida — merece também um dia em que seja celebrada.
O Dia Mundial da Língua Portuguesa celebra-se a 5 de maio. É uma data dedicada a valorizar o português como língua global e a diversidade cultural das comunidades que a falam.
Mais do que uma data, trata-se de um gesto simbólico recuperado de uma celebração da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
Também a língua sente as fraturas do mundo contemporâneo.
Num mundo cada vez mais fragmentado, é importante valorizar a diversidade cultural dos países lusófonos, o diálogo entre povos e a presença do português no mundo.
Numa sociedade cada vez mais polarizada, o português deve afirmar-se como língua de ciência, cultura, economia e diálogo entre países. No fundo, é reforçar o seu papel na construção da paz.
Essa força manifesta-se, no dia a dia, nos lugares onde a língua é praticada.
Na educação e nas expressões culturais — música, teatro, literatura — esta língua latina revela a sua beleza e grandiosidade.
Esta crónica é também um abraço à comunidade de escritores que usam a língua portuguesa para preencher as páginas brancas dos livros.
Apesar da dimensão global, a língua continua a ser abrigo.
Viver dentro de uma língua — com as suas imperfeições e sombras, com a sua história — é ter um porto de abrigo que nos ajuda a encontrar um rumo.
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
A nossa língua mãe - muito bom.
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