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sábado, 17 de outubro de 2026

 

A CAMISA DA SELEÇÃO
Lembro-me daquela Copa do Mundo. Um amigo me orientou como deveria proceder caso quisesse me juntar a sua torcida num bar em Brasília:
— Se você quiser torcer com a gente, tem que usar uma camisa da seleção brasileira. É a única condição.
— Okay — respondi. — Vou providenciar.
A Copa já estava rolando quando comprei uma camisa oficial da seleção. Deixei cerca de R$ 450,00 numa loja e doeu no meu bolso.
No dia do jogo, me dirigi ao bar. O lugar estava cheio, e boa parte das pessoas vestia a amarelinha. O Brasil ganhou, e foi uma festa. Nem parecia que havia divisão política por conta de cor de camisa.
No outro jogo, vesti a camisa novamente, e a seleção perdeu. Daquela vez, escutei uma mulher dizer para a outra, que estava no bar:
— Agora, a gente tem que vestir essa camisa o máximo de vezes possíveis. O fim da seleção no campeonato pode estar próximo, e a camisa vai perder a serventia.
Eu não havia pensado naquilo, mas fazia sentido. Tinha gasto uma grana naquela roupa e iria usá-la por pouco tempo. Foi então que resolvi vesti-la para várias atividades antes que a nossa equipe desse adeus ao mundial.
Usei pra trabalhar, pra ir à academia, pra ir ao supermercado, para ir à farmácia, pra sair à noite e em todos os lugares possíveis. No domingo, a camisa estava suja, mas eu não lavei. A seleção ainda estava na Copa.
Na segunda-feira, o Brasil ganhou o jogo, e continuei usando a camisa. No trabalho, algumas pessoas debocharam de mim, dizendo que eu não tirava a roupa de jeito nenhum. Falei que era simpatia para a seleção ganhar o campeonato.
As semifinais chegaram, e eu fui para o bar novamente. O Brasil perdeu, mas a camisa cumpriu o seu papel. Liguei a máquina de lavar.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
O escritor e compositor Marcelo Pompílio é natural de Brasília. Em 2010, começou a escrever contos para o seu site. Atualmente, seus contos fazem parte das obras Nova Voz do Brasil e Coletânea de Poemas e Contos, vol. IV.
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