DO FUNDO DO BAÚ
Enquanto aguardo o atendimento na
concessionária de energia elétrica, aproveito o ensejo pra te mostrar as
origens de minha fixação em frases, ditados, provérbios populares, máximas,
adágios, axiomas e gírias.
Neste momento de paciente espera,
sem levar pro coração os transtornos que “a excelentíssima distribuidora de energia” tem causado à
capital da solidariedade, trago à lume, resquícios de minha fragmentada
construção linguística, iniciada nos idos dos anos oitenta, durante uma
recessão braba, na qual, filas e mais filas se formavam, para receber o
vale-leite do governo, na época
do presidente Sarney.
Vamos lá! Tchê! Nem te conto! Tô
mais faceiro que mulita em chuvisqueiro! Pra mim, que era mais grosso que dedo
destroncado, esses provérbios caíram feito uma luva.
De fato, até a dona Candinha —
aquela que, graças ao chicote do corpo, quando morrer, vai precisar de dois
caixões — anda falando de bandeira despregada que, eu tomei tenência e agora
sou um homem letrado, um verdadeiro cavalheiro. Vê se pode! Cada uma…
Desde que me embrenhei no emaranhado
de ditados antigos, tenho aprendido um punhado de pulos do gato, que até Zeus
duvida e nem tu acredita. Juro de dedinho! Verdade verdadeira! É vero! Que
barbaridade!
No tocante a este que vos digita,
desde piá, dava um dente para ficar na barra da saia de minha avó, pra ouvir
dois dedos de prosa, lá na Caturrita, em Santa Maria, casa de madeira azul,
onde moravam Dona Maria e seu José, meus avós maternos.
Bah! Tá louco! Saudade dói
demais! Nossa! Valha-me Deus! Porque será que tudo o que é bom dura pouco? Não
me pergunte onde fica o Alegrete!
Com efeito, uma nostalgia danada
invade meu peito e o característico cheiro de naftalina, inebria minhas
reminiscências literárias.
Bons tempos! Foi bom enquanto
durou! Até porque, meus ascendentes já estão de bracinhos cruzados. Se é que,
você me entende. Que Deus os tenha! Amém! Pelas barbas do profeta! Macacos me
mordam! Danação! Pasmem os senhores! Por incrível que pareça, ambos, já
apitaram na curva, cantaram pra subir, bateram a caçuleta, vestiram o paletó de
madeira, foram pra cidade dos pés juntos, pro saco, pra banha, serviram arroz
com galinha, cafezinho e chá com bolinho.
No entanto, os ditados que ouvi
de meus avós, ainda estão tinindo em minhas orelhas de abano, feito o sino do
padre João a badalar na velha capela da boca do monte.
Por este motivo, venho por meio
deste bilhetinho, dar o pontapé inicial nesta saga exegética dos ditados que
marcaram gerações e meu desiderato é que, ao ler estas linhas, a sabedoria de
nossos antepassados, torne seu dia um baita dia, um dia e tanto, do tamanho do
Rio Grande.
Amém!
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!Natural de Alvorada, RS, Deodato Júnior é motorista de aplicativo e palestrante. Criativo e versátil, o autor costuma criar diferentes pseudônimos para suas obras. São os casos de Salomau, criado para os livros O Lobisomem do Leprosário, Provérbios de Salomau e Teste Vocacional para Motoristas de Aplicativo e; de Crisóstomo, nas obras A Bruxa da Bom Jesus: Histórias que até Zeus duvida e Boca Braba.
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Crônica DO FUNDO DO BAÚ.
Parabéns pelo texto amigo escritor, me diverti lendo 🤩🤩👏👏👏👏👏👏🙌🪷🌿💗
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