Nunca a humanidade esteve tão conectada, e ao mesmo tempo nunca estivemos tão solitários. Cercados por telas, notificações e mensagens instantâneas e por infinitas possibilidades de comunicação. Um toque na tela e podemos encontrar alguém do outro lado do mundo.
Podemos conversar a qualquer hora do dia, acompanhar a rotina das pessoas que nem mesmo conhecemos e iniciar relacionamentos sem sequer conhecer o som da voz do outro.
A tecnologia encurtou distâncias, mas criou uma pergunta incômoda: Aproximou pessoas? Não. Estamos vivendo uma época de relacionamentos voláteis. Relações que começam rapidamente, alimentadas por mensagens, curtidas e emojis, e que podem terminar com a mesma velocidade.
Os relacionamentos nascem nas telas e morrem nela, sem uma conversa frente a frente, sem um último abraço, sem o constrangimento de olhar nos olhos de quem está sendo descartado. Basta desaparecer, bloquear, silenciar ou excluir, como se a pessoa nunca tivesse existido. O ser humano confunde liberdade com facilidade para abandonar.
A tecnologia também modificou a forma como acontecem as traições. Não é mais necessário estar fisicamente diante de alguém para ultrapassar os limites de uma reação. Uma conversa escondida, uma conta secreta, mensagens alargadas, fotos enviadas para alguém que!não significa nada’ podem ser o motivo de término de uma relação.
A infidelidade agora está na palma da mão. E há algo ainda mais cruel: a possibilidade da pessoa estar com uma pessoa enquanto procura por outra. É o tal relacionamento de convivência enquanto os aplicativos permanecem abertos em uma procura por outra opção
Infelizmente aprendemos a substituir. Quando um celular já não nos satisfaz trocamos. quando um aplicativo não nos agrada, desinstalamos. quando uma conversa fica difícil, encerramos. Quando um relacionamento exige algo mais do que tempo, procuramos outro.
Talvez precisemos reaprender a olhar. Olhar nos olhos enquanto alguém fala. Deixar o celular sobre a mesa. Desligar a tela, ouvir. Estar presente.A tecnologia deve facilitar nossa vida, mas não deve substituir nossa capacidade de amar.
Precisamos lembrar que pessoas não são aparelhos e que relacionamentos não possuem botão de reiniciar. Corações não vêm com garantia.E as perdas não tem assistência técnica.
Encerro esta reflexão com uma provocação: Se você ama uma pessoa, trate-a como se ela fosse o seu celular. Tenha medo de perdê-la. Cuide dela, proteja. Preste atenção. Não a deixe de lado para procurar uma versão melhor, porque existe uma diferença fundamental entre pessoas e aparelhos: celular pode ser substituído, pessoas nem sempre.
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Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
Crônica, AMORES EM TEMPOS DE TECNOLOGIA, postada, em 07 de setembro de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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