domingo, 26 de abril de 2026

  

A BONECA DE PÉTALAS

Hoje dedico a minha crónica a uma das minhas flores prediletas: a papoila vermelha, flor silvestre que cresce nos campos agrícolas, prados e searas.
Delicada e efémera, as suas pétalas caem ao mais leve toque — símbolo perfeito da fragilidade da vida. Mas as suas sementes conseguem dormir dezenas de anos no solo e germinar quando a terra é remexida, mostrando uma resiliência impressionante.
Foi o poema “In Flanders Fields”, escrito na Primeira Guerra Mundial, que imortalizou a papoila como símbolo de memória. Ainda hoje, em novembro, é usada a papoila na lapela para homenagear quem morreu em combate.
A sua cor intensa, evoca paixão, amor ardente e, ao mesmo tempo, consolo e esperança de paz.
Desde pequena que tenho uma ligação especial com ela. A minha mãe ensinou-me a fazer uma boneca de pétalas: dobrávamos as quatro pétalas sobre o caule, formando um vestido vermelho de seda; a corola fazia de rosto e os estames, o cabelo. Uma folha servia de cinto.
Ainda hoje adoro ver os campos coberto dum mar vermelho.
Na mitologia grega, a papoila estava ligada a Morfeu, deus do sono, e a Ceres, deusa da agricultura — sono e vida, fragilidade e renascimento, tudo ao mesmo tempo.
Olhando para ela, vejo também um paralelismo bonito com as mulheres: belas e delicadas como seda, frágeis à superfície, mas dotadas de uma força e resiliência extraordinárias perante as agressões da vida.
flores bonitas. E há flores que guardam memória.
A papoila, simboliza as duas em simultâneo.

Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 14 de abril de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
 Clique na imagem da autora nas palavras coloridas (Biografia e Nota de Rodapé).
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