terça-feira, 15 de setembro de 2026

 
MORRO DE MEDO DE ESQUECER 
Disse outro dia que sempre corro demais no início e por isso fico sem fôlego e acabo perdendo a corrida. Mas às vezes acontece o presente de estar à frente da curva. Deixando de lado a humildade totalmente porque sinto que humildade é virtude de quem não tem mais nenhuma.
Tem quem não olhe pra estrada de tijolos amarelos, vou lá antes porque coisas brilhantes me atraem. Minha primeira influência de estilo foi a Sharpay. High School Musical. Tinha 6 anos. Lembro mais desse filme do que da minha relação com os outros na infância. Fui uma criança mórbida e solitária. Reprimi bastante.
assistindo Girls agora. Vi pela primeira vez com 13 anos e mais de década depois fiz meu TCC sobre. Só tô tendo as primeiras gotas de orgulho de mim mesma agora. Quero que caia um toró. Curiosamente o episódio que acabei de escolher aleatoriamente pra assistir era sobre luto, meu monotema do momento.Continua genial, as pessoas tão valorizando de verdade agora. Acho que tínhamos que voltar a chamar os outros de posers.
Garotas adolescentes sabem o que é descolado desde sempre. Definem tendências e não levam os créditos. Agora que sou cacura preciso passar essa coroa pesada. Assim como tento me convencer de que foi necessário doar as revistas Capricho e Atrevida e os gibis da Turma da Mônica porque minha mãe achava muita acumulação.
Espero que tenham feito tanto proveito quanto eu. Mas sinceramente? Duvido. Lia e relia aquelas revistas religiosamente. Uma vez minha mãe entrou no meu quarto e escondi como se fosse pornô, sabia que julgamento vinha aí. Não é culto, não é intelectual. Pra mim ainda é interessante ler as que sobraram com quase 27 anos. E antropológico. Observo tudo, todos e noto padrões. Pode não parecer porque falo muito e sou muito autocentrada. Mas juro que noto tanto de pessoas queridas… E morro de medo de esquecer.
Nunca deixo de amar nada que amei um dia.
Amo pessoas que me fizeram mal e às quais fiz mal também. Amo quem já foi dessa pra uma outra. E até encosto que não sabe que tá me pesando. Encosto não é Do Mau e nem a carta a morte no tarot. Carrego encostos quando há amor. Mas não amei tanto umas pessoas quanto é esperado que amemos pela norma social.
Sinto muita paixão, euforia, pulsão de vida. Não sei se isso é felicidade. Não sei o que os outros entendem por felicidade. Mas sair correndo que nem uma louca no início da corrida chama atenção. Deixo impressões em gente que me cumprimenta entusiasmada e não lembro o nome nem a cara. Não sei se vou viver uma felicidade tranquila e mansa, mar sem ondas da praia do flamengo. Mas tô mais que satisfeita com assombrar a narrativa.
I'm actually kinda famous. 
> mas tô pobre de marré. 
WOR$T PER$ON IN BRA$IL.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
A escritora carioca Sofia Armony é atriz, roteirista, diretora de arte, produtora e artista plástica. Formada em Cinema, atua como redatora e cocriadora da revista digital Animal Fabuloso. Sua produção literária inclui poemas, contos e crônicas.
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