domingo, 26 de abril de 2026

 

FRIO DA MADRUGADA 
É madrugada. Faz frio. Como em tantas outras noites, estou acordada. O sono fez sua trouxinha e saiu. Acordei sentindo frio, olhei no aplicativo do clima e vi que a temperatura marcava 11 graus. Não está exatamente muito frio, mas, estranhamente, o meu corpo sente essa temperatura como um gelo.
Puxei o outro cobertor para me aquecer, mas o sono permaneceu distante.
Ouvindo um galo cantar, me pergunto se ele sente frio, se canta porque gosta ou apenas por instinto…
É segunda-feira, dia de escrever minha crônica semanal. Penso na facilidade artificial das coisas, nos sentimentos efêmeros que se derretem como sorvete em um dia de verão.
Refletindo sobre os sentimentos guardados, os segredos não contados, os amores adormecidos que ainda não foram despertados, percebo que sou uma princesa presa dentro de uma torre alta e fria chamada solidão.
Seria tão fácil usar a IA para gerar alguns comandos e receber uma crônica pronta, mas onde ficam meu desabafo e meus sentimentos? E o frio que sinto? A inteligência artificial não saberia descrever isso, pois é tudo artificial.
Ela é como um suco feito de corante e açúcar, enquanto eu sou o glamoroso suco de laranja natural.
Estou, de fato, viajando na maionese (rsrs). O que quero dizer é que podemos usar a tecnologia como ferramenta, mas devemos expressar nossos sentimentos por nós mesmos. A IA não viverá nossos sonhos, não sentirá nossas dores e não saberá traduzir nossas alegrias. E, claro, ela vai corrigir este texto para mim; corrigir, sim, mas escrever não, porque são os meus sentimentos que quero colocar no papel virtual.
Mais uma vez, a vida virtual se impõe. Não há como fugir dela; até os amores se tornaram virtuais. É mais prático, dá menos trabalho e não requer olhar nos olhos do outro enquanto se fala.
O namoro virtual não faz sentido, pois o corpo continua sentindo frio, o coração está triste e solitário, e a alma, vazia. Tantos sentimentos a serem oferecidos, mas a quem?!
Quem realmente quer tentar, abraçar, beijar e cuidar de alguém? Eu.
A madrugada morre lentamente, para que um novo dia possa nascer, e eu aqui, acordada, esperando, estranhamente, não sei o quê…
Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
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Crônica, FRIO DA MADRUGADA, postada, em 16 de junho de 2025, pela autora, em sua página no Facebook. 
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O LAIÁ LAIÁ E O SAMBA 

 
Ah! Quanta cumplicidade entre nós
lembras do primeiro encontro?
Ele surgiu de uma ausência, surgiu de algo que faltou
e de repente estávamos ali entrelaçados,
amalgamados em uma simbiose profunda.
Você povoando a minha boca,
se infiltrando em minha memória.
estive em outros encontros de bambas,
sendo corda ou caçamba
mas Você “laia laiá” é constante
mantendo a magia do instante
que uma letra foge do cantor
e a batucada segue com fervor
pois o samba não pode morrer.
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Poema O LAIÁ LAIÁ E O SAMBA de Daniel Machado. O autor mora em Alvorada, RS, e é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA).
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O CAMINHO DA LIBERDADE.

 

A estrada é longa, ninguém anda por você. Mas a sua mente é livre, tudo pode acontecer. Quem, na estrada da vida, acendeu a luz para alguém. Sempre tem quem precisa, porque nunca viu ninguém. Enquanto não atravessar, a dor da solidão. Não consegui resolver, a sua situação. Não faça da vida um rascunho, para depois limpar. Pode ser muito tarde, não viu o tempo passar. depende de cada um, para ajudar alguém. Porque no final do túnel, o retorno sempre vem. 

Poema O CAMINHO DA LIBERDADE., da escritora Maria Rosa. Natural de Santo Antonio da Patrulha, a autora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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FLUTUANTE

 

De dentro de um sereno costeiro, Busco conforto e proteção, São singelos sentimentos, Que acalentam o coração, É fato lembrar, Sossego ao pensar, Esvazio a mente, E após diversas ondas passar, Na hipótese de naufragar, Lembra por um momento, Que sempre... Em pensamento esteve, No teu lado para ficar!

Janaína Rosa é natural de Porto Alegre e reside em Alvorada, RS. Cabeleireira, artesã, cantora e compositora, a escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Começou escrevendo letras de músicas e poemas para o Instituto Ecovox. Em 2023, teve o poema Sintonia do Mar selecionado para o concurso Poeta Passageiro: poesia na viagem. A autora foi presidente da Associação de Músicos de Alvorada (AMUSA) e é vice-presidente do Instituto Alvorecer. No ano de 2025, teve o poema Bairro Passo do Feijó selecionado para a coletânea Alvorada por 60.

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Poema FLUTUANTE.
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TARDE SEM FIM

 

Oh tarde sem fim, As horas não passam, O tempo parece parar, Ou fui eu que parei? Parei no tempo? Ou o tempo parou. Oh tarde sem fim! Tudo parece se arrastar, Apesar da estação, Não é mais verão! Mas o sol entra pela janela, E faz muito calor. Oh tarde sem fim! Eu ouço o tic tac do relógio, Mesmo assim, as horas se arrastam, não passa... Eu aqui sem nada a fazer, Mergulhado numa inércia, Uma inércia sem fim.
 
Natural de Alvorada, RS, Henrique Domingues é  membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É compositor, músico e poeta. 
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A BONECA DE PÉTALAS

Hoje dedico a minha crónica a uma das minhas flores prediletas: a papoila vermelha, flor silvestre que cresce nos campos agrícolas, prados e searas.
Delicada e efémera, as suas pétalas caem ao mais leve toque — símbolo perfeito da fragilidade da vida. Mas as suas sementes conseguem dormir dezenas de anos no solo e germinar quando a terra é remexida, mostrando uma resiliência impressionante.
Foi o poema “In Flanders Fields”, escrito na Primeira Guerra Mundial, que imortalizou a papoila como símbolo de memória. Ainda hoje, em novembro, é usada a papoila na lapela para homenagear quem morreu em combate.
A sua cor intensa, evoca paixão, amor ardente e, ao mesmo tempo, consolo e esperança de paz.
Desde pequena que tenho uma ligação especial com ela. A minha mãe ensinou-me a fazer uma boneca de pétalas: dobrávamos as quatro pétalas sobre o caule, formando um vestido vermelho de seda; a corola fazia de rosto e os estames, o cabelo. Uma folha servia de cinto.
Ainda hoje adoro ver os campos coberto dum mar vermelho.
Na mitologia grega, a papoila estava ligada a Morfeu, deus do sono, e a Ceres, deusa da agricultura — sono e vida, fragilidade e renascimento, tudo ao mesmo tempo.
Olhando para ela, vejo também um paralelismo bonito com as mulheres: belas e delicadas como seda, frágeis à superfície, mas dotadas de uma força e resiliência extraordinárias perante as agressões da vida.
flores bonitas. E há flores que guardam memória.
A papoila, simboliza as duas em simultâneo.

Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 14 de abril de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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quinta-feira, 19 de março de 2026

 

NOS LIMITES DA LOUCURA

Uma vez eu vi, e ouvi, um pensador e professor de universidade dizer que é natural a filosofia ser incompressível no primeiro momento, pois a filosofia trabalha nos limites da linguagem.
Isso significa, penso eu, que alguém foi tão longe na arte de escrever e conceber ideias que atingiu um patamar difícil de compreender devido ao aprofundamento, minúcia e especialização.
Pois eu digo: os poetas e os escritores, pelo menos alguns dos mais célebres que eu admiro, experimentaram estar nos limites da inteligência e da loucura.
Mas o que isso significa? Talvez que a busca de uma extrema sensibilidade vá mais longe do que possamos imaginar.
Uma vez estive com meu amigo poeta e ele me ofereceu alguns cogumelos. Estava na hora do entardecer, e após nós termos comido um pouco e conversado sobre os escritores que gostamos, e ele fazer uma apresentação sobre os benefícios transcendentais do cogumelo, com uma bela história, eu percebi que a luz do sol estava com tons de cores que eu nunca tinha percebido. Bem, eu sei que nós percebemos 7 cores do espectro, mas a combinação era tão incrível que parecia que estava ali e eu nunca pude perceber.
Ao anoitecer olhei para o céu e pude ver nitidamente um feixe de luz gigante que atravessava o céu. Fiquei pensando sobre o destino daquela luz, pra onde ela levava? Ao prestar bem atenção, eu vi muitas outras luzes como correntes de energia fazendo a teia subliminar do universo. Tudo tinha ligação?
Quando estava novamente na sala de estar, meu amigo com as pernas cruzadas sorriu e me disse que essas experiências são revelações místicas, nunca acontecem sem um significado.
Eu acho que os Xamãs e os feiticeiros da antiguidade experimentavam estados alterados da consciência que lhes permitia uma conexão com reinos estranhos às nossas percepções do mundo material. Eu lembro de ter desenvolvido fascínio sobre isso quando eu li os livros do escritor Carlos Castaneda e as suas histórias com um velho índio xamã no deserto do México.
Antes dos cogumelos eu fiz o ritual da ayuasca. A minha namorada preparou tudo, e após uma oração que nós mesmos escrevemos eu consumi a bebida feita no Acre com um cipó e uma planta.
Estava ouvindo mantras indianos então eu vi uma jiboia que vinha na minha direção, depois ela se tornou toda a textura na minha frente. Mais tarde estava deitado e tive a nítida impressão que eu estava morto e a grama e as flores nasciam do meu corpo junto da terra. E por último eu vi a matéria se formando a partir do som que Shiva produzia no mantra. Quando tudo terminou eu comi um pouco de lentilhas e achei estranha ausência da vontade de beber e fumar.
Esse deslumbre do meu subconsciente e do que eu poderia pensar ser uma revelação espiritual, também faz parte da exploração dos limites do pensamento e da percepção da realidade. Às vezes, eu pensei hoje, voltamos de lá com inspirações divinas, e às vezes com questões existências para resolver. E isso pode parecer loucura.

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no YouTube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Conto postado, em 08 de fevereiro de 2025, pelo autor, em sua página no Facebook
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