domingo, 26 de julho de 2026

 
ESPELHO, ESPELHO MEU
O reflexo que o vidro devolve não é mais o mesmo de dez anos atrás. No rosto de um pai de família em Caracas, o espelho revela olheiras profundas, gravadas pela aritmética cruel da sobrevivência.
Ele olha para a nota de 130 bolívares em sua mão e sabe que, oficialmente, seu salário mínimo mensal desintegrou-se. Em janeiro de 2026, esse valor nominal equivale a aviltantes US$0,50 (meio dólar). O que o espelho não mostra é como se divide uma única nota para alimentar quatro bocas; ele mostra apenas o osso que ressalta na face. A penúria venezuelana não é um desastre natural, mas uma erosão planejada. O povo, herdeiro de uma terra que já foi a promessa de prosperidade da América Latina, agora vive de "bônus" assistenciais que não se integram ao salário, não geram aposentadoria e mantêm a dignidade sob o cabresto do Estado. A luta por liberdade, antes feita em praças coloridas, hoje é travada no silêncio do medo. Relatórios recentes da ONU e da CIDH (2025) descrevem um cenário de "repressão severa": prisões arbitrárias de opositores, jornalistas e até cidadãos comuns que ousaram discordar do espelho distorcido que o regime apresenta ao mundo. Muitas vozes ainda repetem o velho mantra: "Os EUA só querem o petróleo da Venezuela". No entanto, o espelho da realidade geopolítica atual refuta essa frase com dados secos. Se o interesse fosse apenas o recurso, por que os Estados Unidos investiriam bilhões em tecnologias de shale gas e se tornariam os maiores produtores mundiais de petróleo? A Venezuela, com sua infraestrutura petrolífera em ruínas devido à má gestão e corrupção, hoje produz menos que o Brasil. A questão é mais profunda que o óleo bruto. Trata-se de uma instabilidade regional que gera crises de refugiados sem precedentes e da presença de potências autoritárias externas no "quintal" das Américas. O petróleo venezuelano, pesado e caro para refinar, não é mais o prêmio de guerra que o senso comum imagina; o verdadeiro conflito é entre um modelo que asfixia seu próprio povo e a busca por um retorno à ordem democrática. Ao final do dia, o venezuelano desvia o olhar do espelho. Não há vaidade na fome. Há apenas a esperança de que, um dia, o reflexo mostre novamente um cidadão livre, cujo trabalho valha mais do que o preço de um quilo de farinha.
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Residente de Alvorada, RS, a escritora Ironi Jaeger é coordenadora do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL), roteirista do Coletivo Vira-Cena e membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É autora dos livros O Segredo da Família Romans e Recomeços (Coleção 12 Livros Para Atravessar Um Ano).
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Crônica, ESPELHO, ESPELHO MEU, postada, em 05 de janeiro de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

 

IMPRESSÕES 

 

Não sei se é um misto
de amor ou gratidão,
mas confesso dificuldades
em me pensar distante de ti.
 
Tuas impressões marcadas em minha alma,
na alegria ou dissabores
um mosaico de formas e cores
trilha a minha jornada.
 
Do primeiro beijo à despedida
de pessoas amadas,
tudo é simbiose entre nós.
 
Não temos tanta diferença de idade,
mas esse amor é para eternidade
minha querida Alvorada!
Terra que viu nascer o menino o homem
e o poeta que hoje te saúda.
 
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
O escritor, Daniel Machado, reside em Alvorada, RS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA).
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Poema IMPRESSÕES, do livro ALVORADA POR 60: COLETÂNEA DE POEMAS ALVORADENSES, de 2025.
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TUDO ACABA

 

Quase em sincronia entre
chegar e partir,
entre voltar e ir sem rumo,
certo, sem direção.

Tudo acaba;
as tempestades,
as pestes,
a dívida do cartão de crédito,
a bebida no copo,
o beijo molhado,
a juventude.

Tudo dá passagem
ao novo:
novo ano,
novo amor,
novas dívidas,
novos hábitos,
e uma nova  ou melhor 
idade elevada.

A morte chega,
mas quem fomos
vira memória.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada. 
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Poema TUDO ACABA.
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EM VIENA PARÁMOS PARA OUVIR
Ontem à noite, tive o privilégio de assistir a um concerto de música clássica, em Viena, que recriou os serões do século XVIII. Se compararmos os concertos do século XVIII com os atuais, encontramos muitos pontos divergentes e um ponto de contacto — a necessidade de evasão. No passado, as pessoas, quando iam a um concerto de música clássica, primavam por vestir-se com roupa elegante que dignificasse o evento. As mulheres vestiam, preferencialmente, vestidos compridos e os homens, smokings. O traje andava de mãos dadas com o requinte do espetáculo. Com o passar dos séculos, presenciamos uma banalização dos espetáculos, desvalorizando a importância da sintonia da vestimenta com a festividade. Hoje, em muitos casos, a imagem substitui aquilo que deveria ser essencial: a música. Vídeos e coreografias desviam a atenção do que realmente importa e tem valor. Num concerto de música clássica, com instrumentos de cordas e sopros, o foco está exclusivamente nos artistas que atuam “a solo” e exibem, sem artifícios, as suas capacidades perante um público que os avalia sem “maquilhagem”. A tónica é totalmente distinta — ouvimos a música com a alma e desfrutamos o momento com quietude. Não dançamos, não cantamos, não expandimos o que sentimos. Foi mágico ouvir músicas de Beethoven e Mozart, tocadas por músicos vestidos com requinte, numa sala de tetos trabalhados, com pintura de frescos e molduras florais. Mas o que mais me encantou foi a cumplicidade daquele momento, como se por instantes retornássemos no tempo. Saí daquele serão com a sensação de que o tempo pode ser suspenso quando a beleza é suficiente. Em Viena, cidade da música, por breves instantes, não fomos apenas espectadores — parámos para ouvir.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 16 de junho de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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AS QUATRO ESTAÇÕES.

 

Estou aqui imaginando com a força do pensamento. O outono está indo embora com o sopro do vento. O inverno está chegando, que não seja violento. Porque existe alguém morando ao relento. Depois, vem a primavera, com os cantos dos passarinhos. Eles começam a trabalhar, construindo os seus ninhos. Quando chega o verão, sinto boas energias. Porque o sol vem brilhando, até parece magia. Assim vamos vivendo, registrando a nossa história. Quem sabe, talvez um dia, alguém guarda na memória.

Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!

A escritora Maria Rosa, natural de Santo Antonio da Patrulha, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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O AQUI E O AGORA

 

Nos momentos... 
Que reviravoltas,
A vida der... 
Saiba perceber, 
Acordando a mente! 
Essa certamente, 
Trará relevância, 
E compreensão, 
E isso dará motivação, 
Para continuar, 
Tua Jornada, 
Depois de programada, 
Para ter sucesso, 
E ser transformada... 
Abrigará sua nova morada. 
  
Clube dos Escritores de Alvorada 25 anos!
Janaína Rosa é natural de Porto Alegre e reside em Alvorada, RS. Cabeleireira, artesã, cantora e compositora, a escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Começou escrevendo letras de músicas e poemas para o Instituto Ecovox. Em 2023, teve o poema Sintonia do Mar selecionado para o concurso Poeta Passageiro: poesia na viagem. A autora foi presidente da Associação de Músicos de Alvorada (AMUSA) e é vice-presidente do Instituto Alvorecer. No ano de 2025, teve o poema Bairro Passo do Feijó selecionado para a coletânea Alvorada por 60.
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