domingo, 26 de abril de 2026

  

O CAMINHO DA LIBERDADE.

 

A estrada é longa, ninguém anda por você. Mas a sua mente é livre, tudo pode acontecer. Quem, na estrada da vida, acendeu a luz para alguém. Sempre tem quem precisa, porque nunca viu ninguém. Enquanto não atravessar, a dor da solidão. Não consegui resolver, a sua situação. Não faça da vida um rascunho, para depois limpar. Pode ser muito tarde, não viu o tempo passar. depende de cada um, para ajudar alguém. Porque no final do túnel, o retorno sempre vem. 

Poema O CAMINHO DA LIBERDADE., da escritora Maria Rosa. Natural de Santo Antonio da Patrulha, a autora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e, reside em Alvorada, RS. Participou das coletâneas Livro do Trabalhador; Pérolas Ocultas; Somos Alvorada e; Raízes.  Em 2025, publicou o livro de poesia Maria Entre as Rosas, pela Editora Plena Voz. 
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FLUTUANTE

 

De dentro de um sereno costeiro, Busco conforto e proteção, São singelos sentimentos, Que acalentam o coração, É fato lembrar, Sossego ao pensar, Esvazio a mente, E após diversas ondas passar, Na hipótese de naufragar, Lembra por um momento, Que sempre... Em pensamento esteve, No teu lado para ficar!

Janaína Rosa é natural de Porto Alegre e reside em Alvorada, RS. Cabeleireira, artesã, cantora e compositora, a escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). Começou escrevendo letras de músicas e poemas para o Instituto Ecovox. Em 2023, teve o poema Sintonia do Mar selecionado para o concurso Poeta Passageiro: poesia na viagem. A autora foi presidente da Associação de Músicos de Alvorada (AMUSA) e é vice-presidente do Instituto Alvorecer. Neste ano, teve o poema Bairro Passo do Feijó selecionado para a coletânea Alvorada por 60.

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Poema FLUTUANTE.
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TARDE SEM FIM

 

Oh tarde sem fim, As horas não passam, O tempo parece parar, Ou fui eu que parei? Parei no tempo? Ou o tempo parou. Oh tarde sem fim! Tudo parece se arrastar, Apesar da estação, Não é mais verão! Mas o sol entra pela janela, E faz muito calor. Oh tarde sem fim! Eu ouço o tic tac do relógio, Mesmo assim, as horas se arrastam, não passa... Eu aqui sem nada a fazer, Mergulhado numa inércia, Uma inércia sem fim.
 
Natural de Alvorada, RS, Henrique Domingues é  membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA). É compositor, músico e poeta. 
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A BONECA DE PÉTALAS

Hoje dedico a minha crónica a uma das minhas flores prediletas: a papoila vermelha, flor silvestre que cresce nos campos agrícolas, prados e searas.
Delicada e efémera, as suas pétalas caem ao mais leve toque — símbolo perfeito da fragilidade da vida. Mas as suas sementes conseguem dormir dezenas de anos no solo e germinar quando a terra é remexida, mostrando uma resiliência impressionante.
Foi o poema “In Flanders Fields”, escrito na Primeira Guerra Mundial, que imortalizou a papoila como símbolo de memória. Ainda hoje, em novembro, é usada a papoila na lapela para homenagear quem morreu em combate.
A sua cor intensa, evoca paixão, amor ardente e, ao mesmo tempo, consolo e esperança de paz.
Desde pequena que tenho uma ligação especial com ela. A minha mãe ensinou-me a fazer uma boneca de pétalas: dobrávamos as quatro pétalas sobre o caule, formando um vestido vermelho de seda; a corola fazia de rosto e os estames, o cabelo. Uma folha servia de cinto.
Ainda hoje adoro ver os campos coberto dum mar vermelho.
Na mitologia grega, a papoila estava ligada a Morfeu, deus do sono, e a Ceres, deusa da agricultura — sono e vida, fragilidade e renascimento, tudo ao mesmo tempo.
Olhando para ela, vejo também um paralelismo bonito com as mulheres: belas e delicadas como seda, frágeis à superfície, mas dotadas de uma força e resiliência extraordinárias perante as agressões da vida.
flores bonitas. E há flores que guardam memória.
A papoila, simboliza as duas em simultâneo.

Alexandra Ferreira é autora de Sombras com Rosto (romance, 2019) e de Um Verão Sem Ti (antologia de contos, 2023). Portuguesa, natural de Viseu, reside no Porto. É engenheira civil, pós-graduada em Direção de Empresas e mestre em Engenharia Rodoviária. A escritora é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA), integrante do Festival de Literatura e Artes Literárias (FLAL) e do canal Liga dos 7, no facebook. Escreve para revistas literárias e clubes de leitura. Participa, ativamente, de congressos, sendo coautora de diversos artigos científicos.
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Crônica postada, em 14 de abril de 2026, pela autora, no canal Liga dos 7, no Facebook.
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quinta-feira, 19 de março de 2026

 

NOS LIMITES DA LOUCURA

Uma vez eu vi, e ouvi, um pensador e professor de universidade dizer que é natural a filosofia ser incompressível no primeiro momento, pois a filosofia trabalha nos limites da linguagem.
Isso significa, penso eu, que alguém foi tão longe na arte de escrever e conceber ideias que atingiu um patamar difícil de compreender devido ao aprofundamento, minúcia e especialização.
Pois eu digo: os poetas e os escritores, pelo menos alguns dos mais célebres que eu admiro, experimentaram estar nos limites da inteligência e da loucura.
Mas o que isso significa? Talvez que a busca de uma extrema sensibilidade vá mais longe do que possamos imaginar.
Uma vez estive com meu amigo poeta e ele me ofereceu alguns cogumelos. Estava na hora do entardecer, e após nós termos comido um pouco e conversado sobre os escritores que gostamos, e ele fazer uma apresentação sobre os benefícios transcendentais do cogumelo, com uma bela história, eu percebi que a luz do sol estava com tons de cores que eu nunca tinha percebido. Bem, eu sei que nós percebemos 7 cores do espectro, mas a combinação era tão incrível que parecia que estava ali e eu nunca pude perceber.
Ao anoitecer olhei para o céu e pude ver nitidamente um feixe de luz gigante que atravessava o céu. Fiquei pensando sobre o destino daquela luz, pra onde ela levava? Ao prestar bem atenção, eu vi muitas outras luzes como correntes de energia fazendo a teia subliminar do universo. Tudo tinha ligação?
Quando estava novamente na sala de estar, meu amigo com as pernas cruzadas sorriu e me disse que essas experiências são revelações místicas, nunca acontecem sem um significado.
Eu acho que os Xamãs e os feiticeiros da antiguidade experimentavam estados alterados da consciência que lhes permitia uma conexão com reinos estranhos às nossas percepções do mundo material. Eu lembro de ter desenvolvido fascínio sobre isso quando eu li os livros do escritor Carlos Castaneda e as suas histórias com um velho índio xamã no deserto do México.
Antes dos cogumelos eu fiz o ritual da ayuasca. A minha namorada preparou tudo, e após uma oração que nós mesmos escrevemos eu consumi a bebida feita no Acre com um cipó e uma planta.
Estava ouvindo mantras indianos então eu vi uma jiboia que vinha na minha direção, depois ela se tornou toda a textura na minha frente. Mais tarde estava deitado e tive a nítida impressão que eu estava morto e a grama e as flores nasciam do meu corpo junto da terra. E por último eu vi a matéria se formando a partir do som que Shiva produzia no mantra. Quando tudo terminou eu comi um pouco de lentilhas e achei estranha ausência da vontade de beber e fumar.
Esse deslumbre do meu subconsciente e do que eu poderia pensar ser uma revelação espiritual, também faz parte da exploração dos limites do pensamento e da percepção da realidade. Às vezes, eu pensei hoje, voltamos de lá com inspirações divinas, e às vezes com questões existências para resolver. E isso pode parecer loucura.

Graduado em História, o escritor Everton Santos, autor do livro O SOL DOS MALDITOS, é membro do Clube dos Escritores de Alvorada (CEA) e coordenador dos eventos Feira Alternativa e Ensaio de Ruamúsico da banda de punk rock Atari e apresentador do canal, no YouTube, Consciência Histórica. Mora em Alvorada, RS.
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Conto postado, em 08 de fevereiro de 2025, pelo autor, em sua página no Facebook
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PARTE FINAL
Quando voltei pra casa, ao me deitar, fiquei olhando para o teto. Será que tinha inventado aquilo do carro ou era só mais uma ideia minha de quando eu pensava no passado de uma outra vida? Achei melhor não pensar demais, aquilo me dava dor de cabeça. Me dei conta que não tinha morrido. A noite passou e eu não preguei o olho. Não foi nela que tudo acabou. Espero que não tenha se desapontado.
Sabe que nos anos 1970 o mar da praia era mais violento? Eu penso que era, que o mar rugia mais forte, as ondas eram mais altas, o sol mais escaldante, tudo exalava vitalidade, até por ser mais jovem naquele ano. Fosse cinquenta anos a frente, você veria que o mar hoje é um gato e não um leão. Pode ser que esteja fantasiando, mas não ria, tudo que era mais jovem em seu tempo era mais forte do que é hoje.
Hoje tudo é rápido, sem graça, tudo se perde na memória tão rápido quanto se olha e se desvia daquilo. A não ser quando se vê uma foto. Daí é diferente, a gente se perde no passado daquelas pessoas na imagem, naquela praia, quando eram jovens, o mar mais forte, o sol mais quente. Fiquei observando a foto, lá estava eu na beira do mar, estava usando calça jeans, uma camisa branca com a marca de um porto de gasolina e um par de tênis velhos.
Tirei os tênis antes de entrar no mar, na foto você me vê de pés descalços, me vê olhando pro oceano, parado no momento em que decidi entrar. Estou lá no fundo daquela
foto, no primeiro plano tem crianças brincando, é o que você olha primeiro. Depois olha para o homem ali no fundo da imagem, talvez, e fica pensando, quem seria, o que estava fazendo ali na beira do mar, tendo vindo de carona até ali, sem nenhum tostão, só a roupa do corpo, sem ter tomado sequer um copo d'água.
E você pensa, será que ele entrou no mar assim? Será? Acho que sim, porque é quando penso nisso que sinto que preciso respirar e não consigo e que estou no fundo do mar. A foto jaz esquecida, seca e protegida em outro tempo. Quanto a mim, é quando a água invade, o som do mar ruge, o sol não é tão quente quando se está tão no fundo. Acho que nem era isso mesmo que eu queria ter feito, só aconteceu, as ondas fortes, o mar severo, nada de sol. Tudo escuro.
Foi um ano triste aquele, lá em 1970, mas acho que não foi porque eu já não estava mais lá. A porta se fechou pra mim, lembra? Muitas vezes, aliás. A gente morre nesses momentos. E morre de novo em outros. Coloquei a foto de volta no álbum, deixei lá aquela lembrança e acho que talvez os anos seguintes tenham sido melhores, mas tenho cá minhas dúvidas. Não tenho tantas reminiscências até muitos anos depois, quando você sabe, me encontrei ali, observando o mar.
Lembrando do passado.
E das portas se fechando. 

Ben Schaeffer é escritor, advogado e contador. Natural de Porto Alegre, reside em Alvorada, RS. Ávido leitor, lê vários gêneros, desde livros de ficção científica, de fantasia e de mistério até histórias em quadrinhos. É autor do livro Dan Plaggo Porto das Bruxas e da série Histórias do Reino de Puphantia (O Grande Assalto e Os Fantasmas de Puphantus).  

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Conto, do autor, 1970.
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EU DESCOBRI ALGO EM MIM


Descobri algo em mim
Que estava adormecido,
Ofuscado
Pelo brilho e pelo eco do mundo externo.

Descobri que gestos e expressões
Falam tanto quanto as palavras,
Que o olhar nos ensina
A ler o mundo.

Que, ao nos refletirmos no espelho,
Nem sempre enxergamos
O que sentimos por dentro.

Descobri que a arte contagia
E que todos nós somos poetas,
Que vivemos, sorrimos e choramos,
Seja na alegria, seja na tristeza.

Descobri, talvez,
Que não posso entrar no coração do outro
Sem que me seja permitido.

Ah, descobri também
Que tudo é movimento,
Que a escuta esculpe,
E que cada um de nós
É artista de si,
Estilista da própria existência.

Simone Soares é escritora, educadora popular e embaixadora da Editora Plena Voz. A autora reside em Alvorada, RS, e, desde 2024, organiza, junto com artistas, apoiadores e escritores, a Feira Literária Independente em Alvorada. 

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Poema EU DESCOBRI ALGO EM MIM.
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